terça-feira, 6 de agosto de 2013

O PRINCÍPIO DA HONRA


A honra é a chave mestra para se entrar em qualquer ambiente. Quem sabe honrar sempre será bem recebido e ouvido com prazer. A honra é uma das leis mais importantes dos relacionamentos. Dos dez mandamentos, os quatro primeiros tratam de honrar a Deus e os demais seis de honrar o próximo. Jônatas honrou a Davi, e em ocasião oportuna Davi retribuiu tal honra ao seu filho Mefibosete. Davi honrou a Hirão, rei de Tiro, pelo que Hirão honrou ao seu filho Salomão depois de sua morte fornecendo-lhe matéria prima para a construção do templo. A honra pode determinar a longevidade ou a morte prematura. Um dos mandamentos é: Honra teu pai e tua mãe, para te vás bem e tenhas os seus dias prolongados sobre a terra (Êx 20:12; Ef 6:2-3). Muitos sujam seu próprio nome por não honrarem seus compromissos. Muitos destruíram sua vida conjugal por não honrar seu casamento como ordena a bíblia (Hb 13:4). Os presídios são simplesmente o confinamento de pessoas que desonraram o seu semelhante, seja matando, roubando, defraudando ou enganando. Saber honrar é saber viver. Saber honrar é saber entrar. Saber honrar é saber permanecer. Saber honrar é saber crescer.
            A história também deve ser honrada. Só pode ser honrado pela história quem honra a história. Elias honrou a história quando reconheceu não ser melhor do que seus pais. Honrar a história é respeitar os cabelos brancos. Honrar a história é honrar a face do idoso (Lv 19:32). Nazaré teria sido impactada pelo ministério de Jesus se soubessem honrar o profeta de casa (Mt 13:57).
            Paulo dedicou os sete primeiros versículos do capítulo treze da carta aos romanos para ensinar a Lei da Honra. Paulo nos exorta a honrar toda autoridade aqui na terra, pois toda autoridade existente foi constituída por Deus (seja por sua vontade soberana ou por sua vontade permissiva). Em tese, o versículo dois diz que quem não honra a autoridade não honra a Deus, e esta desonra trará condenação. Honrando as autoridades não precisamos temê-las, pois se nós as honramos seremos honrados por elas. “...Faze o bem, e terás louvor dela.” (v. 3c). A bíblia nos ensina que ministros de Deus devem ser honrados. Quem honra os ministros de Deus será honrado por Deus. Você sabia que as autoridades da terra são [relativamente] ministros de Deus em nosso favor, ainda que algumas delas não saibam disso? Você sabia que um policial é um ministro de Deus para o nosso bem? Assim como delegados, presidentes, governadores, prefeitos, deputados, vereadores, senadores, guardas também o são. “Porque ela [a autoridade] é ministro de Deus para teu bem...” (v.4a). Você sabia que se desonrarmos as autoridades terrenas, devemos temê-las, porque desonrando-as estamos sujeitos ao seu castigo, com respaldo das Escrituras Sagradas? “...Mas, se fizeres o mal, teme, pois [a autoridade] não trás em vão a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.” (v. 4b) A honra às autoridades não deve ser por conveniência, e sim com o coração reto (v. 5). Paulo encerra dizendo que a cada um deve ser tributado uma honra distinta (v. 7). Ninguém trata a todos de igual modo. Se você diz que honra a todos igualmente, você não é um sábio, mas sim um tolo. Você não trata o marido de sua vizinha da mesma forma que ao seu marido. Você não lava as peças íntimas dele, não leva a toalha para ele após o seu banho, não tira suas meias quando ele chega do trabalho. Esta honra você reserva somente para o cabeça da casa. Ainda que você honre um mendigo, você não o chamará de “Vossa Excelência”. Em um júri você não chama o juiz de “meu amigo”. Você não irá se dirigir a um graduado cardeal católico dizendo: “E aí padre?!”, ou ao Papa com “Olá senhor Papa!”. Existem designativos distintivos para referir-se a diversas classes de autoridades para honrá-las. Ao Presidente da República, o Ministro do Estado, o Chefe do Gabinete Militar da República, o Consultor Gral da República, os Presidentes e Membros das Assembléias Legislativas, os Governadores e Vice-Governadores dos Estados, Prefeitos, Senadores, Deputados, Embaixadores, Cônsules, Juízes, Generais, Marechais e outros, nos dirigimos como “Vossa Excelência” (V.EXª.) ou “Excelentíssimo Senhor”.. Aos funcionários Graduados, Organizações Comerciais e Industriais e Particulares em Geral, tratamos de “Vossa Senhoria” (V.Sª.) ou “Ilustríssimo Senhor” (Ilmoº. Sr.). Para Cardeais usamos “Vossa Eminência” (V.EMª.) ou “Eminentíssimo Senhor”, assim como para Arcebispos e Bispos usamos “Vossa Excelência Reverendíssima” (V.Exª.Revmª) ou “Excelentíssimo Senhor”. Ao Papa nos dirigimos como “Vossa Santidade”, já que ele prefere assim! Aos Reitores de Universidades nos dirigimos como “Vossa Magnificência” ou “Magnífico Reitor”. Para Reis, Rainhas e Imperadores usamos “Vossa Majestade” (V.M.), já para Príncipes e Princesas usamos “Vossa Alteza” (V.A.). Para líderes eclesiásticos (Igreja Evangélica) devemos tratá-los por suas designações específicas: Pastor, Presbítero, Bispo... Não podemos, porém, ainda que tenhamos uma posição honorífica, nos honrar mais do que honramos ao próximo. “...preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm 12:10b). O Rei Dário honrou a Mardoqueu (Et 6:6). Jesus honrou seus discípulos (Jo 13:1-20; Lc 22:30). Obreiros dedicados e bem recomendados devem ser recebidos em honra (Fl 2:29). Pastores e líderes cristãos que administram sabiamente e trabalham integralmente no ministério da pregação e do ensino, devem ser especialmente honrados (I Tm 5:17).
            A habilidade de saber honrar distingue o tolo do sábio. Pessoas sem nenhuma instrução podem alcançar grande sucesso por saber honrar. Pessoas, até mesmo eminentes, podem ser amaldiçoadas por não saber honrar. Mical sendo uma princesa não soube honrar a Davi como novo rei de Israel (II Sm 6:20-23). As humildes e “desprezíveis” servas do antigo rei, Saul, honraram o novo rei Davi (6:22).
            Até mesmo o temperamental pescador e apóstolo Pedro aprendeu a Lei da Honra. “Honrai a todos...Honrai o rei [governante da nação]” (I Pe 2:17).
            Certa vez, Paulo por ignorância, desonrou uma autoridade religiosa de sua nação, ao ser informado de que se tratava de um sumo sacerdote, logo se retratou dizendo: “...está escrito: Não dirás mal do príncipe [líder] do teu povo.” (At 23:1:5).
            O reconhecimento do Princípio da Honra pode evitar grandes catástrofes. Davi sentiu-se ultrajado pela recusa de Nabal e honrá-lo, isso despertou o “tolo” que havia em Davi (todo homem tem dentro de si um rei e um tolo). Quando Davi veio com seus homens para derramar sangue inocente (“...mesmo até um menino.” – I Sm 25:22), Abigail, esposa de Nabal que conhecia a Lei da Honra, fala ao “rei” que havia dentro de Davi, nos dando uma lição de reverência, humildade e sabedoria com a qual encerramos esta parte: “Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés e disse: Ah! Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavras da tua serva...” (vv. 23-31).
               Aprenda a honrar. Isto é de Deus.

O PRINCÍPIO DO PROTOCOLO


Protocolo é saber agir. Protocolo é conduta certa nos lugares e ocasiões certas. Não existem seminários sobre protocolo, ele é aprendido instintivamente. Dificilmente você lerá em algum manual de pré-requisitos que não se deve entrar na sala do chefe por qualquer motivo. Você não irá encontrar na bíblia uma orientação sobre levantar-se quando o pastor entrar, ou que tom de voz deve ser usado para se dirigir a uma autoridade eclesiástica, mas este é um princípio intrínseco na cultura judaico-cristã e bíblica.
            Reconhecendo o Princípio do Protocolo, José não se apresentou relaxadamente diante da maior autoridade do mundo em sua época. “Então, enviou Faraó e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova; e barbeou-se, e mudou as suas vestes, e veio a Faraó.” (Gn 41:14). Você não vai a uma entrevista de emprego com sua pior roupa. Você não vai a um tribunal de camiseta regata ou de chinelo. Você não vai se apresentar em uma audiência no palácio com a rainha Elizabeth em trajes esportivos. A jovem judia Ester alcançou o favor do rei Assuero porque reconheceu a Lei do Protocolo. Ester se beneficiou do Protocolo para quebrar outro protocolo. Ester precisava entrar na presença do rei, porém, segundo a lei se uma audiência não fosse burocraticamente agendada, isso poderia redundar em pena de morte, a não ser que o rei estendesse seu cetro. Ester estava debaixo de oração e jejum de seus compatriotas, porém, isso não seria suficiente se Ester não agisse com cautela (protocolo). Ester se preparou, física, espiritual e emocionalmente durante três dias. Preparação é um tipo de protocolo indispensável. Ester usou o protocolo para se apresentar adequadamente, com as mais belas e ricas roupas que poderia vestir. “...Ester se vestiu de suas vestes reais...” (Et 5:1a). Ester não entrou de uma vez, ela usou o protocolo ao se pôr “...no pátio interior da casa do rei, defronte do aposento do rei...” (v. 1b). Diante de tanta beleza e reverência, o rei não poderia reagir de outra forma: “...ela alcançou graça aos seus olhos; e o rei apontou para Ester com o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou e tocou a ponta do cetro.” (v. 2). O protocolo escancara a porta do favor. Ao se preparar para entrar na presença do rei Ester obteve o seu favor. “...qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará.” (v. 3). Da mesma forma, ao honrar o aniversário do rei Herodes com uma dança especial, Salomé obteve o seu favor. “...Pede-me o que quiseres, e eu to darei.” (Mc 6:22b). Ao honrar a memória de seu pai Davi priorizando a vontade de Deus, Salomão obteve o favor de Deus. “...Pede o que quiseres que te dê.” (I Cr 1:7). Ao reconhecer a linhagem real de Jesus chamando-o de filho de Davi, Bartimeu obteve o favor do Mestre. “...Que queres que te faça?...” (Mc 10:51) 
            Protocolo não é, porém somente vestir-se adequadamente, é também falar adequadamente. Embora Daniel fosse fiel somente a Deus, ele reconheceu a Lei do Protocolo ao se dirigir ao rei Dário honrosamente: “...Ó rei, vive para sempre!” (Dn 6:21). Neemias somente alcançou o favor do rei Artaxerxes porque conhecia a Lei do Protocolo. Neemias usou o protocolo para iniciar suas palavras diante do rei: “...Viva o rei para sempre!...” (Ne 2:3a). Neemias usou o protocolo ao não exaltar sua nação em relação ao império persa: “...o lugar dos sepulcros dos meus pais...” (v. 3b). Neemias usou o protocolo ao não usar um tom de exigência, como se o rei fosse obrigado a atendê-lo: “...Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te...” (v. 5). Neemias usou o protocolo ao dar satisfação do tempo de sua ausência: “...apontando-lhe eu um certo tempo.” (v. 6b). Neemias usou o protocolo ao pedir ao rei cartas recomendação para sua viagem: “...Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me dêem passagem até que chegue a Judá.” (v. 7). Note também que Neemias usou o protocolo ao pedir uma coisa de cada vez, com tato e cautela. A Lei do Protocolo foi um dos motivos que fez com que Deus estendesse sua mão para ajudar Neemias (v. 8c). Protocolo é falar coisas saudáveis: “Favo de são as palavras suaves: doces para a alma e saúde para os ossos.” (PV 16:24). Protocolo é falar na hora oportuna: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv 25:11). Protocolo é falar com reflexão: “O coração do justo medita o que há de responder...” (Pv 15:28a). Protocolo é falar com brandura: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Pv 15:1). Protocolo é falar pouco: “Retém as suas palavras o que possui o conhecimento... Até o tolo, quando se cala, será reputado por sábio; e o que cerrar os seus lábios, por entendido.” (Pv 17:27-28) Protocolo é falar depois de ter ouvido: “Responder antes de ouvir estultícia é e vergonha.” (Pv 18:13).
            Paulo, seguindo o protocolo esperou a permissão do rei Agripa para se pronunciar: “...Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas.” (At 26:1a). Sendo um minucioso observador da Lei do Protocolo, Paulo, antes de se pronunciar fez sinal com a mão de que iria se defender. “...Então, Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu...” (v. 1b). Note o protocolo no discurso de Paulo, passo a passo: (1) Demonstrando-se honrado por estar na presença do rei e poder falar-lhe. “Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja, hoje, de defender...” (v. 2); (2) Exaltando a cultura e o conhecimento do rei. “mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus...” (v. 3a); (3) Pedindo humildemente a preciosa atenção e também a paciência do rei. “...pelo que te rogo que me ouças com paciência.” (v. 3b); (5) Ao ter sua condição mental insultada pelo governador Festo, não perdeu o respeito ao governador e a reverência perante o rei. “...Não deliro, ó potentíssimo Festo! Antes, digo palavras de verdade e de são juízo.” (v. 25). Perceba que a Lei do Protocolo possibilitou a Paulo testemunhar de Cristo a uma autoridade governamental, como o próprio Jesus lhe havia prometido (At 9:15). “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês.” (v. 27) Perceba também, que Paulo não foi afoito para anunciar a Cristo, e a sua sutileza foi notada até mesmo pelo rei Agripa. “...Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (v. 28). Agripa ficou tão impressionado com Paulo que quis solta-lo, e o teria feito se houvesse outro protocolo a ser seguido. “...Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para Cézar.” (v. 32). Protocolo é saber entrar e saber sair. Protocolo é ser simples como a pomba e prudente como a serpente (Mt 10:16). O protocolo é um princípio fundamental.

PATERNIDADE ESPIRITUAL


Ser pai é certamente uma das maiores dádivas que o Supremo Pai celestial concedeu aos seus filhos homens aqui na terra, e eu bem posso dizê-lo, mas, além da alegria e do privilégio o próprio nome pai, conota uma extrema responsabilidade. Não obstante, outro tipo de paternidade se faz ainda mais importante do que a paternidade biológica, a paternidade espiritual, aliás, esta paternidade corresponde a uma verdadeira lei espiritual irrevogável.
Pelo menos três características revelam uma verdadeira paternidade: (1) Amor; (2) Autoridade; e (3) Legado. Se algum pai, seja biológico, ou espiritual negligenciar qualquer destes três princípios, ele certamente tem fracassado em sua missão de ser pai.
Em primeiro lugar, o “ministério” de pai deve estar alicerçado em amor, pois o amor é a essência de todo relacionamento feliz, especialmente no que tange a pais e filhos. Sabemos perfeitamente que a suma designação da pessoa de Deus na dispensação da graça, é a de PAI, pois, através da fé em Jesus Cristo recebemos a adoção de filhos (João 1:12; Gálatas 4:5; Efésios 1:5), e ratificando nossa nova e honrosa condição de filhos, existe outro Poderoso Agente que nos introduz diante do trono de Deus como filhos e não nos permite esquecer nossa filiação, o Maravilhoso Espírito Santo (Romanos 8:14-16; Gálatas 4:6). Todo este cuidado em garantir nossa inclusão na família de Deus (Efésios 2:19), arquitetando este maravilhoso plano antes da fundação do mundo, revela o inexplicável amor de Deus por nós. A verdade primordial é que Deus não tem amor, pois assim, o amor seria mais um atributo de seu caráter, Ele é Amor (1ª João 4:8), ou seja, o amor não faz parte de Sua natureza, o amor é a Sua natureza. Um pai, portanto, é mais do que um genitor biológico, é uma fonte de amor onde o filho deve poder recorrer em qualquer tempo. Um pai que não ama não é um pai, e o verdadeiro amor deve ser externado com o sublime e liberal ato de dar o seu melhor por seus filhos. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).
Outro aspecto imprescindível no caráter de um verdadeiro pai, é sua autoridade, sem a qual não existe um referencial de ordem e hierarquia. Na verdade, a autoridade de um pai sobre seu filho, revela seu amor por ele. Deus não exerce autoridade sobre seus filhos simplesmente para se ostentar como um déspota tirano que se gaba de seu poder de influência (aliás, este tem sido o comportamento medíocre de alguns pseudo-pastores). Dois aspectos revelam que a autoridade de Deus é manifestada através de seu amor: (1) O amor de Deus não mima. Muitos pais concedem certa “liberdade” aos seus filhos, e chamam esta liberdade de longanimidade; é claro que tal qual o caráter divino, devemos, como pais, procurar ser longânimos, mas que esta não se torne em conivência passiva e irresponsável. Nosso Pai celestial não é assim. Paulo exorta-nos a considerar tanto a bondade quanto a severidade de Deus (Romanos 11:22). Creio que poucas Escrituras bíblicas revelam a autoridade paterna de Deus como o que o texto a seguir:
E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija?
Hebreus 12:5-7
            Sim, o amor de Deus não mima; mas existe outra característica marcante da autoridade de Deus revelada em seu amor, (2) O amor de Deus exige reciprocidade. Na verdade, Deus não está clamando por nosso amor como um pedinte que esmola por atenção, mas a própria essência do amor divino pede, com autoridade escriturística a resposta desse amor. “Amarás, pois, o Senhor, nosso Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.” (Deuteronômio 6:5) Na verdade este “pedido” de amor, é um clamor de nosso senso latente de responsabilidade, pois, o amor de Deus é extremamente constrangedor (2ª Coríntios 5:14). Em fim, a autoridade de Deus é um dos atributos que o qualificam como o Pai Supremo dos espíritos dos homens (Hebreus 12:9).
            Por fim, outro fator que revela a natureza de um verdadeiro pai, é o seu legado, ou seja, aquilo que ele pode transmitir aos seus filhos, que possa se perpetuar de geração em geração promovendo bênçãos e uma história ilibada na família. O legado, longe de ser bens materiais, é a herança cultural, moral e espiritual que um pai ‘ministra’ ao seu filho com fim de fazê-lo próspero em sua geração e nas futuras. Todo bom pai se preocupa não somente em “dar coisas” para seu filho, mas prioritariamente em ensinar coisas a ele; ensinar os melhores aspectos de sua cultura familiar, ensinar seus mais nobres atributos morais e acima de tudo ensinar um princípio espiritual seguro e sólido, que reja todas as demais áreas de sua vida (Mateus 6:33; 7:24-29). Um pai que não repassou um bom legado fracassou como pai (mas ainda é tempo de recomeçar). “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te...” (Deuteronômio 6:6-7).
            Procurei apresentar alguns princípios que norteiam a paternidade para, agora, começar a falar sobre a lei da paternidade espiritual. Sim, entendemos que o nosso Deus é o Pai por excelência, e que nosso pai biológico tem um papel crucial e honroso em nossas vidas (Êxodo 20:12; Deuteronômio 5:16; Efésios 6:1-3), quero, porém, me referir agora ao pai espiritual.
            O início de nossa caminhada com Deus é marcada por relacionamentos e por ensinos que passam a nos acompanhar durante toda a nossa peregrinação aqui na terra. Em meio a estes relacionamentos e palavras que absorvemos normalmente se destaca alguém que, com sua sabedoria e amor, nos acolhe como um mentor e pai; esta pessoa pode também surgir em momentos cruciais de nosso ministério (não necessariamente no início) para nos servir como fonte de inspiração, consulta e repreensão, sempre contribuindo para nosso crescimento e aprimoramento. Poucos relacionamentos na bíblia expressaram tão bem este princípio como o de Elias e Eliseu.

Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim. E disse: Coisa dura pediste. Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, senão, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!...
2º Reis 2:9-12

            A admiração de Eliseu por seu mentor Elias era excepcional, após ter sido comissionado e convocado por Deus através de Elias, Eliseu jamais o deixou e passou a andar ao seu lado absorvendo sua sabedoria e sua fé. Houve momentos em que Elais até mesmo desejou ir adiante sozinho, mas Eliseu se recusava a deixá-lo (2º Reis 2:2-8). E foi exatamente essa persistência e perseverança de Eliseu em servir que legou a ele o direito de pedir ao profeta Elias qualquer coisa que desejasse. “...Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti...” (2:9a). Observe diligentemente que se abriu diante de Eliseu a oportunidade de sua vida, e sua escolha seria reflexo de seu discipulado aos pés de Elias. Certamente, se Eliseu não tivesse sido previamente bem orientado e doutrinado por Elias ele não teria sido tão espiritual em seu pedido. Isto me faz lembrar de duas ocasiões em que o Senhor abriu oportunidades maravilhosas para que se lhe fizessem pedidos; precisamos saber o que queremos e querer  com entendimento, como Salomão (1º Reis 3:5-14) e Bartimeu (Marcos 10:51).
            Gostaria que você notasse no texto acima que um dos atributos que o discípulo Eliseu admirava em seu mestre Elias, era o seu zelo fervoroso e consumidor pela nação de Israel, Elias tinha um cuidado “quase sacerdotal” por Israel, Eliseu diante da visão apoteótica da ascensão de Elias ao céu num redemoinho exclamou: “...O Senhor sempre foi como um exército para defender Israel!” (NTLH). Eliseu estava disposto a assumir o papel de defensor do povo de Deus secundariamente à sua missão de defensor dos interesses de Deus, e nisso.
            Por fim, note também que o primeiro clamor de Eliseu ao contemplar a partida sobrenatural de Elias foi: “...Meu pai, meu pai...”. Este foi o nível de relacionamento entre Eliseu e Elias. Eliseu abriu mão da herança material de pai biológico (1º Reis 19:20-21) para receber a herança ministerial de seu pai espiritual (2º Reis 2:9-10).
            Eis aqui sete chaves espirituais para recebermos a herança de um poderoso ministério:
1-      Esteja disposto a renunciar sua estabilidade social e financeira priorizando os valores espirituais. Eliseu poderia ter aderido a uma próspera e bem sucedida carreira como fazendeiro lavrador, mas optou por labutar como servidor do profeta para herdar o ofício profético. Havia nele um nobre sentimento de renúncia característico da mente de Cristo. Alguém que não esteja disposto a priorizar o Reino de Deus (Mateus 6:33) não está apto a receber uma herança ministerial que exija dedicação e extrema responsabilidade espiritual. Um espírito despojado e renunciador é a marca de um promissor “filho espiritual”.
2-      Esmere-se e seja diligente em servir aquele pai espiritual cujo “manto” você almeja. Eliseu investiu sua vida no mentorado de Elias. Ele “sugava” cada momento que passava ao lado do profeta servindo-o e aprendendo, sua primeira reputação foi de aquele “...que deitava água sobre as mãos de Elias.” (2º Reis 3:11). Na verdade, este é um princípio fundamental do Reino de Deus: “Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: - Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.” (Marcos 9:35 – NTLH). O próprio Jesus sendo Deus assumiu tem um caráter servidor. “bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir...” (Mateus 20:28). 
3-      Rejeite qualquer comentário malicioso de terceiros a respeito de seu pai espiritual. Os três principais canais de comunicação do homem são: (1) visão; (2) fala e (3) audição. São também fortes agentes do pecado; podemos ser concupiscentes no olhar e maledicentes no falar, mas você me perguntaria: “Como nossos ouvidos podem ser agentes do pecado se o ouvir é passivo?” além da visão concupiscente e do falar maledicente, o ouvir pode ser conivente, e isto é pecaminoso. Alguns de nós “emprestamos” nossos ouvidos para os maledicentes e mexeriqueiros, nos alimentando desse veneno espiritual. Deveríamos nos recusar a ouvir qualquer tipo de comentário maledicente sobre homens que Deus ungiu (permaneçam ou não ungidos), especialmente sobre aqueles que são nossa paternidade ou cobertura espiritual. Eliseu não permitiu que os “observadores” fizessem menção do destino de Elias, pois sabia que suas palavras possuíam um tênue tom de sarcasmo (2º Reis 2:3). Quando ouvimos ataques verbais sobre um servo de Deus ou qualquer outra pessoa e reagimos com palavras coniventes como: “é verdade!” ou até mesmo “hãham!”, pecamos.      
4-      Esteja o máximo que possível junto de seu pai espiritual, andando ao seu lado e absorvendo sua sabedoria e seus atributos morais positivos. Pessoas são produtos da influência de pessoas. O sábio Salomão escreveu: “Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido.” (Provérbios 13:20). Eliseu andou ao lado de Elias, e antes de receber seu manto profético, absorveu seu legado espiritual, seu caráter ilibado e sua sabedoria, da mesma forma, se queremos “herdar” o ministério de um homem de Deus, devemos acompanhá-lo bem de perto, lembrando que “a unção que respeitamos é a unção que virá sobre nós”. Não anele apenas o poder e os dons de seu pai espiritual, procure observar e imitar suas qualidades morais mais destacadas, pois certamente foram estas que o projetaram para a grandeza espiritual.
5-      Não queira ser o “eco” de nenhum ministério, seja uma voz única e personalizada, você pode ser tão poderoso em Deus quanto seu pai espiritual. Deus não está interessado em levantar e ungir outro apóstolo Paulo, e muito menos outro Pedro ou Moisés, Deus pode lhe dar da mesma unção que estava sobre estes homens, mas unção de Deus repousa sobre indivíduos e não sobre “clones”. Eliseu desejava a unção de Elias e não seus atributos pessoais e de temperamento, além disso, ele não queria apenas a unção de Elias, mas uma porção dobrada dela, e por disso, Eliseu operou em termos quantitativos mais milagres do que Elias.
6-      Não deseje a herança ministerial de alguém para exibi-la como um troféu, faça uso dela para a glória de Deus. Eliseu não se ostentou com a capa de Elias colocando-a imediatamente sobre si, mas se colocou diante do mesmo Jordão que Elias abrira e fez o mesmo. Eliseu revelou com humildade a eficácia do poder de Deus agora estava sobre si, assim, seu ministério tão frutífero quanto o de Elias.
7-      Não queira se comparar a seu pai espiritual, mas não se incomode com as comparações que surgirão inevitavelmente. É inevitável que as pessoas comparem nosso ministério com o de nosso “pai espiritual” em diversos aspectos, na abordagem, na motivação, na paixão, na visão... Afinal de contas estamos com o manto dele, ou seja, a mesma unção que repousava sobre ele, agora repousa sobre nós. Os “...filhos dos profetas que estavam defronte de Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu...” (2º Reis 2:15). A despeito de tais comparações, Eliseu nunca se ostentou como o “novo Elias”, mas desenvolveu seu ministério na direção do Espírito de Deus. As comparações sempre são muito perigosas, e precisamos nos guardar delas, aliás, o único a quem devemos realmente imitar e desejar ser comparados é com o Senhor (1ª Coríntios 11:1; Efésios 5:1).
O apóstolo Paulo deixou um maravilhoso e amplo legado para o jovem pastor Timóteo, ao qual chamou em duas ocasiões de filho na fé (1ª Timóteo 1:2; 2ª Timóteo 1:2). Paulo precisava deixar um representante idôneo para presidir a Igreja em Éfeso, assim, escolheu alguém idôneo, mas não tão idoso. O jovem Timóteo muito cedo absorveu os ensinos de Paulo de forma a se tornar apto para o ministério pastoral entre os crentes efésios. Paulo compreendia que as profecias acerca do ministério de Timóteo constituíam em uma base sólida para o início de sua trajetória, e apostou nele. “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia.” (1ª Timóteo 1:18). Note que Paulo estava exortando seu “filho” Timóteo mais ou menos assim: “Sua chamada já está confirmada, agora, haja à altura da promessa!”. Dentre as muitas recomendações de Paulo ao jovem pastor, ele relacionou uma série de atributos imprescindíveis para aqueles que desejam um “manto” no santo ministério da Igreja (1ª Timóteo 3:1-10). Paulo também motivou o jovem Timóteo acerca de sua suposta inexperiência, pois sabia que em função de sua idade, muitos obreiros mais velhos poderiam desprezá-lo ou recusar lhe estar sujeitos, ao que Paulo escreve: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá.” (1ª Timóteo 4:12-13). Perceba que Paulo deixa claro que para que o ministério de Timóteo tivesse credibilidade e não fosse desprezado, era-lhe necessário ser um exemplo para os fiéis em pelo menos seis aspectos: (1) na maneira de falar; (2) na maneira de agir; (3) no amor; (4) na motivação; (5) na fé e (6) na pureza. Além disso, Paulo exorta Timóteo na prática de outros três aspectos fundamentais do ministério: leitura, exortação e ensino (v. 13). Paulo conclui esta parte dizendo que Timóteo não desprezasse seu dom declarando: “...o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério.” (v. 14).

Em fim, a paternidade espiritual é um princípio real, patente em toda a narrativa bíblica, e deveria ser mais diligentemente observada e ensinada por nós ministros de Deus.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ESTÁGIOS DA RESTAURAÇÃO PLENA DO HOMEM



Com o estabelecimento do Reino de Deus no advento terreno de Cristo, o gênero foi redimido de seu estado de condenação e morte, bastando cada ser humano reconhecer este fato profético para participar desta Redenção. Porém, a partir do novo nascimento (João 3:3) a natureza humana, agora recriada, passa por estágios até sua restauração plena “até que cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” (Efésios 4:13). Mesmo sendo um milagre, este milagre ainda se processa no homem gradualmente.

MORTIFICANDO A NATUREZA ADÂMICA

De fato, duas naturezas coexistem no homem nascido de novo, recriado à imagem e semelhança de Deus. Esta natureza adâmica é a própria natureza de Adão pós-Queda, caracterizada por uma corrupção generalizada, de corpo, mente e coração. Esta natureza é um “cadáver” que devemos carregar até o dia em deixemos este corpo mortal, “por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu” (II Coríntios 5:2). Note que esta habitação é o corpo glorificado que havemos de receber, que, hoje, está realmente no céu, porém descerá à nós, pois não seremos despidos num “rapto secreto”, mas revestidos pela Vinda gloriosa da Vida que está escondida com Cristo em Deus (Colossenses 3:3-4). Enquanto se aproxima esta gloriosa metamorfose, devemos numa atitude contínua e perseverante, mortificar esta velha e caída natureza (Colossenses 3:5). Essa coexistência do novo e do velho homem é expressa no clamor agoniado de Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Este clamor aponta para a tradição da lei romana, que punia homicidas fazendo-os carregar o cadáver de sua vítima amarrado ao seu corpo pelo resto da vida. O corpo se decompunha, fedia, e estava sempre junto a assassino, mas o assassino se gloriava de estar vivo. Paulo complementa declarando a natureza do conflito existencial humano ao dizer: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, a lei do pecado.” (Romanos 7:25). Paulo ratifica a esperança do homem recriado dizendo: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:1-2). Mas precisamos fazer morre sempre os hábitos da velha natureza.

SUJEITANDO-SE À OPERAÇÃO DA CRUZ

A simbologia da cruz na linguagem profética do Reino aponta para duas obras coexistentes: uma Obra consumada, e uma obra progressiva. A mensagem da cruz fala do Rei e Senhor do Universo que se ofereceu em sacrifício para Redimir o gênero humano à sua condição de filhos do Reino. Fala do Rei que ao pagar a dívida da humanidade deixou claro que sua parte nesta Obra Redentora estava feita (João 19:30). É uma mensagem que vai além do intelectualismo e racionalismo humano (I Coríntios 1:17-18). O homem recriado e restaurado à imagem do Criador, não poderá mortificar a velha natureza adâmica, senão pelo sujeitar-se à operação da cruz. A obra da cruz foi consumada, a cruz não, pois, “já estou crucificado com Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do filho de Deus...” (Gálatas 2:20). Note que Paulo não fala da cruz como uma experiência da sua conversão, mas como uma operação contínua em sua existência. Nesta linguagem profética, sabemos que não somente nós estamos crucificados para o mundo, mas também, todo o ideal do sistema (mundo) também está crucificado para nós, e este o único motivo que temos para nos gloriar (Gálatas 6:14). A obra definitiva da cruz em nós é a anulação do corpo do pecado, para que não mais o sirvamos (Romanos 6:6; Gálatas 5:24), e a obra gradual da cruz é o convite do Rei Jesus ao discipulado, que é dia após dia renunciando, tomando-a e seguindo ao Senhor como constantes alunos e embaixadores: “...Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a cada dia a sua cruz, e siga-me.” (Lucas 9:23). A cruz não é uma árvore de natal onde estão os presentes da cristandade, mas é o altar onde prestamos onde oferecemos nossa vida em sacrifício vivo a Deus como culto racional (Romanos 12:1-2).
 
MINIMIZANDO A OPERAÇÃO DA ALMA

Entenda-se a Alma como a sede dos sentimentos, emoções, intelecto e vontade. Diferente do homem recriado à imagem do Último Adão, a alma era a essência imaterial da vida do primeiro Adão (Gênesis 2:7; I Coríntios 15:45). Considerando que a alma é, também, o canal de interação do homem com o mundo ao seu redor, captando informações e impressões deste mundo por meio dos sentidos do corpo, a mesma tende a ser inconstante em seu estado. Não podemos, porém, anular a alma nesta existência física, mas podemos “reconfigurá-la” e minimizar sua operação, não sendo predominantemente guiados por nossos sentimentos, emoções, intelecto e desejos. A alma do homem deve atuar em harmonia com o espírito recriado, para que o corpo opere em harmonia com a vontade de Deus. Assim, a maneira de reconfigurar a alma é através de uma absorção correta, selecionando os pensamentos (Filipenses 4:8; Colossenses 3:2), Selecionando os desejos (II Timóteo 2:22), selecionando os sentimentos (Filipenses 2:5), e selecionando as emoções (Mateus 5:44; Efésios 4:31-32). Para tanto, precisamos policiar os canais de nossa absorção: os olhos (Salmos 101:3; Jó 31:1), os ouvidos (Apocalipse 13:9) e a boca (Efésios 4:29; Tiago 4:11). Sim, o homem pode transgredir através olhos concupiscentes, ouvidos coniventes, e boca maledicente. Lembremo-nos que “...a alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4b). 

LIBERANDO O ESPÍRITO RECRIADO

Tendo nascido de novo, da água e do Espírito (João 3:3-5) se tornando uma nova criatura (II Coríntios 5:17; Gálatas 6:15), este homem recriado não é um corpo novo, como imaginou Nicodemus (João 3:4a), tão pouco uma nova alma; Segundo a profecia de Ezequiel é um novo espírito (Ezequiel 36:26). Não podemos estar confusos quanto a isto. Este espírito não o Espírito Santo de Deus, mas é o novo espírito concebido ao homem por obra do Espírito Santo, por ocasião de sua união com Cristo Jesus, pois, “...o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (I Coríntios 6:17). Este espírito recriado é justamente a reprodução da Pessoa e do caráter de Jesus no homem nascido de novo. Este espírito muitas vezes não opera em seu potencial e plenitude, pois damos mais vazão à operação da alma, e deixamos este poderoso espírito recriado, retido em nossa existência. Dentre outras coisas, para liberar este espírito recriado, precisamos: (1) Alimentá-lo com a Palavra de Deus (Salmo 119:11); Inclinando-nos para as coisas do Espírito de Deus (Romanos 8:5-9); Comunicando-nos com Deus por meio deste novo espírito (I Coríntios 14:2, 14); Frutificando este novo espírito pelo Espírito de Deus (Gálatas 5:22).

Conclusão

A Redenção efetuada por Cristo Jesus foi, de fato, completa, mas seus efeitos transcendem o tempo para o futuro e a consumação de todas as coisas. Assim, sabemos que esperamos o culminar desta Redenção (Romanos 8:23), pois temos o penhor divino desta promessa, o Espírito Santo (II Coríntios 1:22; 5:5; Efésios 1:13-14). Desde que o Rei Jesus veio a Terra e estabeleceu o Reino de Deus, dando início ao período libertador chamado “milênio”, até aos nossos dias, tem havido um processo de expansão deste Reino que terá seu clímax antes da Segunda Vinda do Senhor, quando o conhecimento da glória do Senhor encherá toda a Terra como as águas cobrem o mar (Habacuque 2:14), e todos os povos adorarão ao Senhor (Salmo 22:27-31), e como se não bastasse, a natureza, o ecossistema, a fauna, a flora, serão revigorados pela Redenção da Terra (II Crônicas 7:14), de tal modo que cessará a mortalidade infantil, e aumentará a expectativa de vida do homem (Isaías 65:20). Precisamos entender estes estágios da restauração do homem como indivíduo e como espécie. Cristo em nós, esperança da glória (Colossenses 1:27).

                                                                                    
                                                                                 Enéas Ribeiro

                                        
                                                                                                              

quinta-feira, 16 de maio de 2013

“VENHA O TEU REINO”



VENHA O TEU REINO
A Natureza do Verdadeiro Avivamento
Mateus 6:10

                   Introdução
         Há um avivamento verdadeiro a caminho de todos nós e cada um de nós; como Igreja, devemos clamar por este avivamento. A dinâmica deste avivamento é caracterizada pelo verbo “trazer”.
         O plano de Deus sempre foi trazer a realidade do Céu ao contexto da Terra. E a Igreja é a agência responsável por trazer o Reino de Deus a Terra.
         O Avivamento pelo Evangelho do Reino traz o que há no céu para nós. Este avivamento traz...

1-   A UNIDADE EM TORNO DE CRISTO.
No Céu não há a mínima divisão; todos os seres angelicais estão unanimemente unidos em torno de Deus e de seus eternos propósitos.

i-             Todas as coisas reconciliadas em Cristo (Colossenses 1:20)
Tudo o que foi desvinculado do governo de Deus por causa do Pecado do primeiro Adão, em Cristo (o último Adão) foi reconciliado a Deus em perfeita unidade; esta obra consumou-se na cruz e é efetuada até aos dias de hoje. O avivamento renova a Igreja para sua responsabilidade reconciliadora e unificadora; e isto começa a partir da própria Igreja que encontra a revelação da perfeita Unidade em Cristo, como corpo.

ii-            A Unidade da Fé (Efésios 4:13)
O avivamento do Reino não visa promover uma unidade teológica, ou litúrgica, ou cultural, mas sim a Unidade da Fé. A verdadeira doutrina está revelada misticamente na realidade e na experiência real de cada indivíduo ou grupo com Cristo. Esta doutrina pode até ser organizada e sistematizada, porém, jamais monopolizada por qualquer seguimento denominacional ou confessional. A fé não é um credo, é um dom. É o Evangelho do Reino que unifica a fé das pessoas em seu autor e consumador: Cristo (Hebreus 12:2)

2-   O PADRÃO MORAL DE DEUS.
No Céu não existe imoralidade ou amoralidade, mas um padrão moral único, eterno e caracterizado pela perfeição e excelência de caráter.

i-             Sem relativismo na consciência de bem e mal (Isaías 5:20)
No prisma da verdade, não há conjuntos relativos, culturais, ou sociais de moralidade; o bem é bem, e o mal é mal. Não há conceitos intelectuais ou filosóficos que possam alterar a moral absoluta estabelecida por Deus. Platão asseverou: “Se vós compreendeis o bem e mal, podeis com segurança adquirir conhecimentos; porém, se não é esse o caso, ó meu amigo, parai e não arrisqueis vossos mais caros interesses em um jogo de azar.” O padrão moral do Reino de Deus é uma consciência aguçada sobre o bem e o mal, e uma voluntária paixão e alegria de fazer o bem.

ii-            Perfeição e Santidade como ideais absolutos (Mateus 5:48; I Pedro 1:15-16)
Longe da controvérsia calvinista x arminiana, há, de fato, um estado de perfeição humana alcançável nesta vida em Cristo Jesus. Não se trata de inerrância ou infalibilidade, mas, segundo a melhor expressão de John Wesley, um “amor santo”. O Reino de Deus não é “monergista ou sinergista”, mas é justiça. E este padrão moral é renovado nos corações pelo evangelho do Reino. O verdadeiro avivamento é marcado por este elevado padrão moral. 

3-   PROSPERIDADE DE RECURSOS.
No Céu não há o menor indício de pobreza ou miséria; lá está a fonte de toda a riqueza e prosperidade, e os recursos são ilimitados.

Tal qual não podemos fazer apologia a famigerada “teologia da prosperidade”, com seus extremos triunfalistas e megalomaníacos, devemos nos guardar da “teologia da miséria” largamente difundida por seguimentos monásticos da cristandade. Voto de pobreza jamais revelará genuína humildade de coração, senão uma tentativa humana de auto-afirmação (Colossenses 2:20-23).

Porque este avivamento traz prosperidade de recursos?

i-             Porque este avivamento restaura a produtividade humana.
O avivamento do Reino é um retorno radical do homem a uma perspectiva do estado edênico, ou seja, o estado do homem no Éden, antes da Queda. “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos...” (Gênesis 1:28). Contrariamente ao que muitos pensam, o trabalho não é parte da maldição da Queda, pois “...tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar”, antes da Queda (Gênesis 2:15); a maldição é o trabalho intenso e excruciante que “escraviza” o homem e o priva da abundância de seu fruto (Gênesis 3:18-19). Este avivamento restaura a produtividade humana porque conscientiza o homem de ser um lavrador e guardador da Terra, e porque a sua própria “terra indidual” é redimida e sarada pelo avivamento (II Crônicas 7:14).

ii-            Porque este avivamento restaura a liberalidade.
O homem avivado é iluminado pela revelação da semeadura (Gálatas 6:7; II Coríntios 9:6-7). Ele entende no espírito e pelo Espírito, que não pode reter nada para si (Provérbios 11:24), pois tudo provém de Deus, e foi criado e provido para os propósitos de seu Reino (I Crônicas 29:14). Nenhum homem realmente cheio do Espírito Santo cogita questionar teologicamente a validade do princípio dos dízimos, pois entende que apesar de não se constituir como lei no contexto atual, é uma saudável tradição bíblica irrevogável. “...estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epistola nossa.” (II Tessalonicenses 2:15). Jesus nos ensina a guardar os preceitos morais mais importantes do Reino, mas sem omitir o princípio do dízimo (Mateus 23:23). Devemos honrar ao Senhor com os nossos bens e com o primeiro e o melhor de nossa renda (Provérbios 3:9-10), e fazê-lo com alegria, “porque Deus ama ao que dá com alegria.” (II Coríntios 9:7c). Com liberalidade glorificamos a Deus e nos submetemos ao evangelho de Cristo (II Coríntios 9:13).

iii-          Porque este avivamento restaura a liderança humana.
Liderança não se trata de “estar acima de alguém”, mas pode ser resumido em governar seu domínio pessoal. Embora deva haver liderança no âmbito organizacional e corporativo, Deus não criou homens para se dominarem ou serem dominados uns pelos outros. A liderança na perspectiva do Reino é a capacidade de domínio sobre a criação. “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: ...enchei a terra, e sujeita-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:28). A fauna e a flora representam a subsistência humana, e esta é a área sobre a qual o homem recriado à imagem do Último Adão (I Coríntios 15:45) deve dominar. O avivamento do Reino restaura este domínio.

4-   UM MOVER DE CURA E SAÚDE.
No Céu os “corpos” são eternamente sãos; não há doenças, enfermidades ou deficiências lá. A saúde é a marca do Céu.

i-             A cura na expiação (Isaías 53:4-5)
As enfermidades também são uma conseqüência direta a Queda do primeiro Adão, que por causa do Pecado, contraiu em seu corpo e alma um processo degenerativo que passou a ser “natural”. A obra redentora de Cristo no Calvário é a perfeita expiação não somente para o Pecado, mas também suas para suas conseqüências. A palavra “salvação”, do grego “sozo”, é aplicada na realidade expiatória, tanto para a alma como para o corpo. Deus revelou isto na mensagem do profeta messiânico, Isaías. No avivamento do Reino, esta compreensão é restaurada ao corpo de Cristo, que aliás, no contexto da Comunhão (Santa Ceia), é a fonte da saúde de Cristo para nós. “...não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.” (I Coríntios 11:29c, 30)

ii-            A Cura e Saúde são parte da Benção Divina (Êxodo 23:25-26)
Uma compreensão plena da dimensão da Benção de Deus é um dos frutos da manifestação do Reino de Deus entre nós. No avivamento somos iluminados em nossa fé quanto a sermos abençoados em nosso suprimento e saúde. Esta é uma promessa de Deus que não está condicionada a uma dispensação passada ou a uma etnia: “E servireis ao SENHOR, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de ti as enfermidades. Não haverá alguma que aborte, nem estéril na sua terra; o número dos teus dias cumprirei.” Renove nisto sua esperança de cura divina para você, seu amigo ou ente querido; Deus quer curá-lo. Encontre na perspectiva do Reino, não somente a fé para crer nisto, mas a mente de Cristo para entender isto (I Coríntios 2:16)

iii-          Perdão e Cura na mesma realidade (Salmo 103:3; Mt 9:5-6)
Como já dissemos, não se dissocia o Perdão do Pecado e a Cura da Enfermidade, ambas estão incluídas na expiação. Aliás, ambas são constantemente citadas juntas nas Escrituras (como nos textos acima). Não queremos divagar sobre o porquê alguns não recebem a cura divina, pois o que está em destaque aqui é uma verdade bíblica restaurada em tempos de avivamento. O Reino de Deus é composto por corpos e almas saudáveis.

iv-          Em avivamentos do Reino enfermidades são erradicadas (Salmo 105:37)
Unida à provisão financeira, a saúde é uma dádiva divina provida em tempos de grande mover de Deus, quando o SENHOR transporta seu povo de uma dimensão limitada e escravizada a filosofias, para uma dimensão de fé e milagres. O povo de Israel foi transportado da realidade limitada do Egito, à caminho da terra que mana leite e mel. E disto fala o texto citado: “Mas, a eles, os fez sair com prata e ouro, e entre as suas tribos não houve um só enfermo”. Este êxodo próspero era reflexo de um concerto com Deus, e, se sob o Antigo Concerto Israel viveu neste nível de abundância, muito mais a Igreja sob um Melhor Concerto. “Mas agora alcançou ele [JESUS] ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas.” (Hebreus 8:6) São comuns relatos dos Evangelhos de Jesus curando a literalmente ‘todos’ os que se aproximavam dele. O último avivamento do Reino de Deus na Terra, trará um tempo de restauração do bem estar sem precedentes na história, e isto não está guardado para um “milênio escatológico” literal. As estatísticas mundiais indicam um significativo aumento da expectativa de vida na população mundial na última década, especialmente em países verdadeiramente cristãos. A mortalidade infantil está em declínio até ao ponto de ser erradicada; Isto é a prévia de uma restauração total (Atos 3:19-21) que acontecerá antes da Segunda Vinda de Cristo. “Não haverá mais nela [na Terra] criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos... Não edificarão para que outros habitem, não plantarão para que outros comam, porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos até à velhice.” (Isaías 65:20, 22). Venha o teu Reino!!!

5-   UM ELEVADO NÍVEL DE ADORAÇÃO.
Não há silêncio no céu; lá todos os seres adoram a Deus ininterruptamente. Especialmente os seres angelicais, que são um padrão elevadíssimo de louvor e adoração.

i-             Na dimensão dos 24 anciãos (Apocalipse 4:10-11)
Anciãos prostrados e reverenciando outra pessoa, não é uma cena corriqueira, especialmente no contexto oriental e antigo, pois anciãos são compenetrados, protocolados e formais. Mas a adoração dos vinte e quatro anciãos na visão de João em Patmus revela o nível de expressado diante da presença manifesta de Jesus Cristo. Não há protocolos nem formalidades quando Deus traz a glória de seu Reino a Terra. Todo avivamento da história foi marcado por uma exuberante extravagância no culto cristão. A adoração se tornava emocionante, vibrante e quebrantada. É comum ver pessoas ao chão adorando o Redentor e lamentando seus pecados e indignidade.

ii-            Como Davi (Salmo 9:2; 29:9)
Como um nobre rei da maior de todas as nações da história, Davi foi e é um exemplo supremo de adoração e quebrantamento para as gerações. Correr, pular, clamar... Não parecem atributos de um rei, mas são atributos de um rei que conhece o Rei dos reis. Davi expressa a importância do “Glória!” no templo, e revela duas chaves da intimidade de Deus: (1) QUEBRANTAMENTO e (2) TEMOR. “Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado...” (Salmo 34:18) “O segredo do Senhor é para os que o temem...” (Salmo 25:14a).

iii-          O sacrifício é vivo e é fruto dos lábios (Romanos 12:1; Hebreus 13:15)
Alguns seguimentos mais tradicionais e formalistas da Igreja reputam por imaturidade e excessos as manifestações de louvor dos seguimentos renovados, porém, a expressão do louvor a Deus em qualquer âmbito deve ser marcada por palavras bíblicas de adoração como: “Aleluia!” e “Glória!”, além de expressões espontâneas que não podem ser contidas no coração, mas devem “borbulhar” da boca. Este é um tempo de restauração da adoração, que não estará mais condicionada a culturas denominacionais ou rigidez litúrgica, mas fluirá de uma Igreja Apostólica e que traz o Reino a Terra pela intercessão e adoração proféticas.

                   Conclusão
         Estamos vivendo, não na “Dispensação da Igreja”, a Igreja é somente uma agência do Reino, estamos no Tempo do Reino de Deus, ele já está entre nós (Lucas 17:20-21; Mateus 4:17), e agora, está caminhando para o ápice de sua influência nas vidas e nações (Salmo 22:27-31; 37:11, 22, 29, 34; 67:7; Lucas 13:20-21). Você faz parte disso, clame pelo Reino, e abandone sua mentalidade de “escape”. Esta Terra é sua, Deus a deu, conquiste-a. “Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.” (Salmo 115:16; Mateus 5:5). Clame pela vinda do Reino de Deus à sua nação, cidade, bairro, sua casa, família, e é claro, à sua vida. Isto é AVIVAMENTO, e isto vai mudar radicalmente sua mente e sua vida para melhor.


Enéas Ribeiro