segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PORQUE DEVEMOS ORAR EM LÍNGUAS


         O apóstolo Paulo não poupou satisfação e júbilo ao dizer para os crentes da Igreja de Corinto: “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós.” (1ª Co14:18)
         Paulo conhecia a importância fundamental de se orar no Espírito Santo (Rm8:26,27; Ef 6:18; Jd 20). A glossolália era parte indispensável na vida devocional do apóstolo dos gentios, visando auto-edificação (1ª Co 14:4a).
         O contexto histórico da primeira epistola aos coríntios nos deixa claro que a única coisa que eles queriam fazer, era falar em outras línguas. Agora vamos entender algo significativo aqui, se Paulo falava mais línguas que os coríntios, podemos deduzir então que Paulo acordava falando em línguas, falava em línguas ao dormir, falava em línguas entre as refeições... Preocupo-me muito com o fato de muitos crentes que receberam o dom não utilizá-lo, pois estão perdendo uma tremenda fonte de gozo e crescimento espiritual. Vejamos, portanto, alguns motivos porque todo crente, discípulo de Jesus deve orar em línguas estranhas.

         1º Motivo: As línguas são para edificação espiritual. A palavra edificar, do grego “oikodome”, significa literalmente construir uma casa ou edifício. Fala-nos da construção minuciosa e gradual de uma vida espiritual poderosa. Essa construção envolve o aperfeiçoamento do caráter e o aprofundamento no relacionamento com Deus. Portanto, as línguas são o mais precioso canal para uma vida espiritual mais dinâmica e real. “O que fala em língua estranha edifica-se a si mesmo...”(1ª Co 14:4a). Outro fato maravilhoso sobre as línguas, é que, mesmo que não as compreendamos é o mais perfeito meio de comunicação com Deus. “Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus...” (1ª Co 14:2a). E a segunda parte deste versículo nos trás outra revelação esclarecedora para aqueles que temem falar em outras línguas e serem reprimidos por alguém. “...porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios.” (14:2b)

         2º Motivo: As línguas são uma evidência do batismo no Espírito Santo. Línguas demonstram-se em três narrativas claras do livro de Atos, provam de maneira irrefutável que elas são a marca do verdadeiro revestimento espiritual de poder. Alguém até pode estar realmente cheio do Espírito Santo sem falar em línguas, mas a evidência de uma vida profunda e crescente é a constante oração no Espírito. Línguas é como o transbordar de um vaso que foi cheio até a boca, sabemos que transbordou quando a água cai pelas bordas do  vaso (At 2:4; 10:45; 19:6).

         3º Motivo: Falar em línguas é uma das provas da ressurreição e glorificação do Senhor Jesus. Pregando a respeito da ressurreição nos versículos 24 e 25 de Atos 2, Pedro citou as Escrituras do Salmo 16 assim: “por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou...” (At 2:26). O mesmo poder da ressurreição, é o poder que influencia crentes de todas as gerações a falarem em línguas misteriosas. (Rm8:11; Jo 16:7)

         4º Motivo: Falar em línguas é o cumprimento óbvio das profecias de Isaías e Jesus. Isaías profetizou: “Porque, por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo.” (Is28:11) e Jesus disse que as línguas acompanhariam a pregação do evangelho pela fé. “E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome... falarão novas línguas.” (Mc 16:17)

         5º Motivo: As línguas nos relembram a presença do Espírito Santo que habita em nós. Como Pedro e sua comitiva sabiam que os gentios haviam recebido o Espírito Santo? Atos 10:46 diz: “Pois os ouviam falando em outras línguas e engrandecendo a Deus.” Ou seja, tratava-se da evidência sobrenatural ou inicial da presença do Espírito Santo neles.

         6º Motivo: Orar em línguas estimula a fé. Falar em línguas me ajuda a confiar mais plenamente em Deus. Não nos dará fé, mas acrescentará e ajudará a nossa fé. Vejamos o que disse o discípulo Judas (não o que traiu, mas o irmão do Senhor) em sua carta: “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.” (Jd 20). Sendo o Espírito Santo quem dirige sobrenaturalmente a nossa oração quando oramos em línguas, a fé precisa ser exercitada para falá-las, porque não sei qual virá a ser a palavra seguinte. Confio e espero em Deus para que inspire em mais e mais palavras sobrenaturais, e confiar e esperar em Deus em algum aspecto, nos ajudará a confiar e esperar em outros aspectos, isto desenvolve ainda mais a fé.

         7º Motivo: Orarem línguas é um meio de nos proteger da contaminação mental imposta pelo mundo. Falar em línguas é um modo eficaz de nos mantermos “alienados” às conversas ímpias, profanas, grosseiras e maledicentes que acontecem ao nosso redor, além de proteger nosso subconsciente de imagens concupiscentes que casualmente se colocam diante dos nossos olhos. Podemos então, falar em línguas silenciosamente, em particular com Deus. Independentemente de onde estivermos, podemos proceder conforme o apóstolo Paulo orientou: “Mas, se não houver interprete,...fale[em línguas] consigo mesmo e com Deus.” (1ª Co 14:28). Não importa onde você está você pode falar consigo mesmo e com Deus em mistérios, assim, sua mente estará alheia e livre das contaminações do mundo.

         8º Motivo: Falar em línguas submete a nossa língua ao senhorio de Cristo. Quando oramos em línguas estamos sujeitando a nossa língua à vontade do Espírito Santo. Falar em línguas é um passo importante no intuito de entregar totalmente o corpo a Deus, afinal, nenhum homem pode domar sua própria língua. “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o seu corpo. Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.” (Tg 3:2,8)

         9º Motivo: As línguas são uma forma incomparável de gozo e regozijo espiritual na comunhão entre dos santos. Observemos Efésios 5:18 e 19: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito Santo, falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração.” Estando cheios do Espírito Santo, podemos numa reunião de oração render ao Senhor cânticos espontâneos nascidos nas profundezas do nosso espírito, até que de maneira natural, nos encontramos louvando a Deus em línguas estranhas. Está é uma experiência de profundo deleite espiritual e geradora de poder e unidade.

10º Motivo: Orar em línguas é uma forma singular de refrigério espiritual. Isaías 28:11 e12 diz: “Pelo que, por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo, ao qual disse: Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério...” De forma que esta profecia é mencionada por Paulo justamente quando escreve aos coríntios sobre o uso das línguas (1ª Co 14:21-22) Tenho observado que realmente a melhor maneira de descansar a alma fadigada pelos infortúnios e tempestades da vida, é orando no Espírito Santo, bendizendo-o em línguas. Esta prática tem um poder terapêutico insubstituível. Nestes dias conturbados de perplexidades, tumultos e inseguranças, precisamos nos livrar de todas as nossas sobrecargas e opressões. Acredito que Jesus se referia também a isto quando convidou os cansados e oprimidos para um alívio singular (Mt 11:28).

11º Motivo: Orando em línguas, damos graças com perfeição. Não há melhor maneira de render louvor e agradecimento a Deus do que através das línguas estranhas. É evidente que ao darmos graças por uma refeição que nos foi oferecida em casa alheia e outras situações, devemos dar graças com o entendimento, para que todos possam dizer o amém. Mas em nossa devoção diária precisamos exercitar com afinco o dar graças no Espírito, pois é o único meio perfeito para isso, como disse Paulo: “Porque realmente tu dás bem as graças...” (1ª Co 14:17).

12º Motivo: Orar em línguas é orar em perfeita harmonia com a vontade de Deus. A maior deficiência de muitas orações é o “eu”, ou seja, o egocentrismo que nos leva à orações egoístas, sempre buscando a mão de Deus e não a sua face. A verdade é que quanto mais eloqüentes e formais forem as nossas orações, ainda assim não sabemos orar como convém (Rm 8:26), por isso, ao orar em línguas, inconscientemente, oferecemos orações realmente agradáveis a Deus.

13º Motivo: A oração em línguas faz a verdade “explodir” dentro de nós. Um dos nomes distintivos do Espírito Santo está intimamente ligado a verdade: “o Espírito da verdade...” (Jo 14:17a). Uma das missões do Espírito Santo é promover a verdade dentro de nós, e existem mentiras tão enraizadas em nossa natureza carnal que nós mesmos acreditamos nelas. A verdade não é uma mera declaração externa, é uma revelação interna. E esta revelação só pode ser dada pela atividade do Espírito Santo em atuando em nós. Não podemos receber a verdade no âmbito natural, mas seremos guiados de forma sobrenatural através da oração que o Espírito Santo cria em nosso espírito. “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade...” (Jo 16:13a). Tenho descoberto que quando oramos no Espírito a verdade “explode” dentro de nós, de forma que manifestamos a verdade em três níveis: (1) Manifestamos toda a verdade para nós mesmos; (2) manifestamos toda a verdade para os outros; e (3) manifestamos a verdade diante de Deus e sobre Deus. Além disso, através da oração no Espírito conhecemos a verdade suprema, JESUS (Jo 14:6).

14º Motivo: A oração em línguas revela e manifesta a nossa vocação no Senhor. A Igreja possui uma vocação missiológica coletiva, mas cada crente em particular também possui uma vocação espiritual pessoal. No âmbito da Igreja não existe um teste vocacional sistemático; a vocação de cada um é outorgada e revelada pelo Espírito Santo. A oração de Paulo pelos crentes da cidade de Colossos era “para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento...” (Cl 1:17 e 18a) Agora surge a indagação: porque Paulo desejava que os colossenses desfrutassem deste nível de revelação espiritual? A resposta está na seqüência do texto: “...para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos.” (v. 18b). Note duas coisas aqui: (1) Devemos saber qual a esperança de nossa vocação e (2) Saber quais as riquezas da glória da sua herança nos santos.
Em primeiro lugar a esperança da nossa vocação é a eternidade e o céu, mas em um plano temporal refere-se à nossa missão específica aqui na terra.
Em segundo lugar, as riquezas da glória desta herança espiritual referem-se ao nosso honroso papel no corpo de Cristo (nos santos). E isto somente pode ser manifesto no homem interior (Ef 3:16 - ler). O que Paulo estava realmente desejando é que o mistério mais profundo, que fora ocultado de todos os patriarcas e profetas, fosse revelado a cada um de nós. Mas que mistério é este? “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecerquais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.” (Cl 1:26-27). Sabemos que a unção que estava sobre Jesus enquanto homem, era sem medida (Jo3:34), assim, Jesus possuía em si todos os dons, ministérios e operações do Espírito Santo. Nós, como membros do corpo de Cristo não possuímos essa vocação total deste corpo místico de Cristo (1ª Co 12:12-30), por isso, precisamos descobrir em que dom, ministério e operação encontraremos a plenitude de nossa vocação entre os santos. Cada uma das facetas ministeriais de Jesus atua em cada um de nós de maneira distinta, precisamos descobrir qual dos muitos ministérios de Jesus operam em nós:
AS OPERAÇÕES (Rm 12:8-10, 28) – Dons do Pai, propósito e motivação básica da vida.
(1) Profecia (Mt 16:21)
(2) Ministério (Mt 20:26; Jo 13:13-16)
(3) Ensino (Mt 5-7:29)
(4) Exortação (Mt 23:1-39; Lc 9:41; Jo 3:3)
(5) Liberalidade (Mt 14:3-21; Jo 6:1-15)
(6) Liderança (Mt 28:19; Mc 16:15; Lc 24:49)
(7) Misericórdia (Mt 14:14; Jo 11:38)

OS MINISTÉRIOS (Ef4:11; 1ª Co 12:28) – Dons do Filho, para edificar e equipar o corpo da Igreja.
(1) Apóstolo (Hb 3:1)
(2) Profeta (Lc7:16)
(3) Evangelista (Lc4:18-19)
(4) Pastor (Jo10:11)
(5) Mestre (Jo 3:2; 13:13)
(6) Missionário (Mc 1:38)

OS DONS (1ª Co 12:1-11) – Dons do Espírito Santo, distribuídos pela soberania do Espírito.
(1) Palavra de Sabedoria (Lc20:25; Jo 8:7)
(2) Palavra de Conhecimento (Mt 17:24-25; Mc 2:8; Lc 9:46-47)
(3) Discernimento de espíritos (Mc 9:29)
(4) Profecia (Mt 24:2)
(5) Variedade de Línguas (Mc 16:17) Obs.: Dom pós ascensão.
(6) Interpretação de Línguas (Mt 15:24-28)
(7) Fé (Mc 11:12-24)
(8) Dons de Cura (Mc 1:34; 3:10; 6:55-56)
(9) Operação de Milagres (Lc8:22-25; Jo 11:38-45)

GRAÇAS ESPECIAIS. Restrito às pessoas com um nível diferenciado de dedicação e consagração.
(1) Hospitalidade.(Mt 25:35-40;Hb 13:1-3; 1ª Pe 4:10-11)
(2) Celibato. (Mt 19:10; 1ª Co 7:7-9,27; 1ª Tm 4:3; Ap 14:4)
(3) Martírio. (Mt 20:28; Hb 11:37-38; 1ª Pe 4:12-13; Ap 6:9-11)

Jesus possuía em seu chamado e missão a totalidade destes atributos espirituais e ministeriais, e hoje, Ele habita em nós pelo Espírito e nos cabe descobrir nossa vocação no Senhor.
A oração constante e perseverante em línguas é a chave para encontrarmos e desenvolvermos a plenitude do nosso chamado em Cristo, ou seja, o que Cristo é em nós e o que somos nele.

15º Motivo: A oração em línguas é uma profunda fonte de revelação profética. A presença de Deus é como um profundíssimo abismo de gozo e plena satisfação, que, quanto mais nos aprofundamos, mais desejamos nos aprofundar, o salmistaentendia isso, aliás, este é o verdadeiro significado de: “Um abismo chama outro abismo, ao ruído das catadupas...” (Sl 42:7). Rios, cachoeira e correntezas, são manifestações impetuosas da água, que representam a poderosa operação do Espírito Santo (Is 44:3; Jo7:38-39). Há um texto escrito pelo profeta Isaías (59:19b), cuja tradução em português tem um erro de concordância em relação ao original hebraico. Vou transcrevê-lo duas vezes para que você note a diferença:

“...vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele sua bandeira.”

         Vejamos agora a maneira correta:

“...vindo o inimigo, como uma corrente de águas o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira.”

Percebeu? O que virá como uma corrente de águas não é o inimigo, mas sim o Espírito Santo. A diferença está na vírgula após a frase: “vindo o inimigo,...”
O salmista (Sl 42:7) estava declarando que em meio ao som das correntezas do Espírito Santo, o desejo de sua alma por ir mais profundo na revelação de Deus aumentava. Esta é uma das missões do Espírito Santo, nos revelar “...as profundezas de Deus.” (1ª Co 2:10).
Quando oramos em línguas, estamos “vasculhando” o coração de Deus com sua permissão, ainda que não percebamos em que nível de revelação estamos. Na oração em línguas podemos atingir em dado momento, uma dimensão de esclarecimento tão grande, que visões podem surgir em nosso espírito, a respeito de coisas, situações e pessoas. Tenho vivido a experiência de receber revelações proféticas nos mais diversos níveis, enquanto oro em línguas, assim, tenho podido abençoar muitas pessoas com palavras proféticas, algumas muito enigmáticas, outras muito claras. Não posso provar isso, mas gosto de conjeturar que Paulo teve sua experiência no terceiro céu quando orava em línguas, já que orava em línguas mais do que qualquer um em seu tempo (1ª Co 14:18).
A oração em línguas te levará a um nível muito profundo de revelação profética e discernimento espiritual.

16º Motivo: As línguas são um sinal do projeto de Deus para a restauração da unidade. Nos primórdios do pentecostalismo, obviamente houve uma divisão em função da religiosidade que sempre foi característica da índole humana, mas com o tempo passamos a compreender que paradoxalmente oposto à tudo o que possamos imaginar com nossas mentes “teologicamente corretas”, a experiências do falar em línguas vem promovendo uma inesperada unificação eclesiástica. Vamos pensar com a mente de Cristo. No livro de Gênesis temos o relato da única coisa que causa real preocupação em Deus, a UNIDADE para projetos ímpios.

“Aí disseram: Agora vamos construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro. Então o Senhor desceu para a cidade e a torre que aquela gente estava construindo. O Senhor disse assim: Essa gente é um povo só, e todos falam uma só língua. Isso que eles estão fazendo é apenas o começo. Logo serão capazes de fazer o que quiserem.”
Gênesis 11:4-6 – NTLH

         Isso pode não ser teologicamente razoável, mas seja sensível e note o tom de preocupação do Senhor. Ele viu que o governo humano instituído pela “proclamação de independência” de Adão, não teria mais limites agora que o homem conhecera o poder da UNIDADE. Deus Todo Poderoso chega a dizer: “...Logo eles serão capazes de fazer o que quiserem.” Entendemos que além da fé, outro elemento que abole as limitações humanas é a unidade em direção a uma visão comum.
         Deus, então, reúne-se com a Trindade e a Plenitude da Divindade descem pessoalmente para solucionar o problema da globalização ímpia. “Vamos descer e atrapalhar a língua que eles falam...” (v. 7A). A diversidade idiomática foi a solução de Deus para espalhar os homens, mas o Senhor já tinha um plano para unir os homens outra vez, agora, não para a implantação do poderio humano, mas para a implantação do Reino de Deus entre os homens: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito Santo dava a cada pessoa.” (Atos 2:4 – NTLH).
         É inevitável, o mover do Espírito Santo é um poder irresistível, que tem varrido a terra, muitos ainda resistem, mas a despeito de aceitarem ou não, os céticos devem reconhecer que a plenitude pentecostal está unindo a Igreja neste tempo do fim. A questão é a VISÃO. Assim como Babel possuía uma visão de unidade para estabelecer a Dispensação do Governo Humano, o Pentecostes possui uma visão de unidade para estabelecer a Dispensação do Milênio, que é o pleno Reino de Deus.

17º Motivo: A oração em línguas mortifica a natureza adâmica. Reconhecer e se entregar à Jesus Cristo como Senhor e Salvador pessoal de nossas vidas gera um milagre espiritual chamado “nascer de novo” (Jo 3:1-8), trata-se do nascimento de um novo homem, criado outra vez à imagem de Deus, embora, ainda com a natureza adâmica habitando em seu corpo. Jamais nos veremos livres da natureza caída enquanto vivermos nessa terra. Na verdade, a plenitude da vida espiritual em Cristo só pode ser vivida se passarmos por um processo de três etapas: (1) Mortificar; (2) Despojar e (3) Revestir. (Cl 3:5,8,10,12,14). Ao nascermos de novo nossa velha natureza é mortificada e dá lugar a uma nova natureza (1ª Pe 1:3; 2ª Pe 1:4; 1ª Jo 2:29; 4:7; 5:1,4,18) à imagem de Deus e com o caráter de Jesus (Gl 5:22), mas a natureza adâmica, ainda que morta, está em nós, e só será destruída por ocasião da glorificação (1ª Co 15:52-58). O apóstolo Paulo vivenciou a terrível e constante batalha da mortificação da natureza carnal (Rm 7:7-25). No meu limitado entendimento, existem pelo menos sete maneiras básicas para se mortificar a carne:
(1) Nascendo da Semente da Palavra (1ª Pe 1:23)
(2) Dedicar-se a uma vida de renúncia (Lc14:33)
(3) Aborrecendo o sistema mundial (Tg 4:4; 1ª Jo2:15-17)
(4) Vivendo uma vida de fé (Hc 2:4; Rm 1:17; Gl 3:11; Hb 10:38)
(5) Amando e vivendo pela Palavra (Sl 119:11; Mt 7:24-27; Hb 4:12; Ap 3:8)
(6) Imitando a Jesus Cristo (1ª Jo 2:6; 1ª Co 11:1; Ef 5:1)
(7) Andando no Espírito (Gl 5:16-18)
Preferi deixar o tópico “Andando no Espírito” por último, pois aqui temos informações preciosas para uma vida espiritual profunda e vitoriosa. O andar no Espírito não é um acontecimento específico, é uma experiência gradual também composta por alguns passos práticos:
(1) A comunhão com o Espírito Santo (2ª Co13:13; At 13:2-4; 15:28)
(2) A santificação pelo Espírito Santo (Tt 3:5; 1ª Pe 1:2)
(3) O batismo no Espírito Santo (Mt 3:11; Mc 1:8; Lc 3:16; Jo 1:33; At 1:5)
(4) O falar pelo Espírito Santo (2º Sm 23:2; Mt 10:20; At 4:13)
(5) A oração no Espírito Santo (Ef 6:18; Jd 20; 1ª Co 14:14a)
A constante oração no Espírito complementa todos os demais passos anteriores, e tem o poder de mortificar e conservar morta a natureza caída.

18º Motivo: A oração em línguas vivifica a nova natureza. Não basta morrer o velho Adão em nós sem que se desenvolva Jesus Cristo em nós. Isto é a edificação: “querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” (Ef 4:12-13). As sete palavras sublinhadas representam o ininterrupto processo de vivificação da Nova Natureza:
(1) Aperfeiçoamento. A nova natureza em Cristo Jesus deve ser aperfeiçoada continuamente (2ª Co 7:1; Hb13:21; Mt 5:48).
(2) Ministério. A nova natureza se desenvolve à medida que desenvolvemos a capacidade de servir (Gl 5:13).
(3) Edificação. O desenvolvimento da nova natureza acontece à partir do fundamento para cima (Ef 2:20; 1ª Co 3:11).
(4) Unidade. O entendimento do princípio divino da unidade revela o nível de desenvolvimento da nova natureza (Jo17:21).
(5) Fé. A vida de fé e pela fé cresce à medida que o novo homem cresce.
(6) Conhecimento. O conhecimento possui muitos níveis (Os 6:3a), que são alcançados à medida que o novo homem se relaciona com Cristo.
(7) Completude. Ser espiritualmente completo em Cristo (Ef3:19) deve ser a busca prioritária daquele que nasceu de novo.
O coração e o espírito de uma nova criatura são novos (Ez36:26; 2ª Co 5:17).
Davi exultaria por conhecer os nossos dias, e viver a graciosa experiência do novo nascimento. Em arrependimento avassalador ele clamou a Deus pela dádiva que hoje desfrutamos: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.” (Sl51:10). Mas ele sabia que para essa experiência ser uma realidade em sua vida, ele precisava desesperadamente da permanência do Elemento vital: “Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo.” (v.11).
         Ao orarmos em línguas o Espírito Santo promove o crescimento do novo espírito recriado e renascido, levando-o a uma dimensão de revelação e conhecimento de Deus que não podem ser conquistados nos melhores seminários teológicos. A nova natureza possui um novo idioma oculto no interior do espírito de cada crente (todos), basta calar os clamores da alma e quebrar o silêncio do espírito, que será vivificado dia após dia. Glória a Deus!

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA RECEBER O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO



         Para receber esta benção são necessários alguns passos fundamentais, note que eu não disse estratégias, e muito menos métodos. Mesmo o termo “passos”, é apenas para facilitar a aplicabilidade do conceito, são na verdade princípios espirituais bíblicos:

         1º Passo: É preciso nascer de novo. Aliás, este é o único critério legal para estarmos aptos ao Batismo no Espírito Santo. Para ser cheio do Espírito, a pessoa deve ser primeiramente habitada pelo Espírito Santo e pertencer ao Senhor Jesus. (At 2:38; Rm 8:9)

         2º Passo: Precisamos pedir. Não podemos receber nada de Deus se não ansiarmos profundamente. Jesus foi objetivo em dizer que se alguém pedir o Espírito Santo, seu pedido será atendido sem exceção. (Lc 11:8)

         3º Passo: É necessário se entregar. É exatamente isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando admoestou: “apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo.” (Rm 12:1) Este é o paradoxo daqueles que durante o culto ao Senhor parecem “múmias”, e não se apresentam para cultuar de verdade.

         4º Passo: É preciso crer. Não foi em vão que Paulo questionou os gálatas: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2). O contexto da pergunta por si só já revela, claro que recebemos o Espírito pela pregação da fé, pois nada de bom que fizermos nos fará merecedores de tal dádiva, é um dom de Deus, fruto da sublime graça. Pergunta semelhante Paulo fez aos crentes da cidade de Éfeso (At 19:2).

         5º Passo: Conhecer a disponibilidade da dádiva. Deus concedeu esse batismo “pentecostal” no dia de Pentecostes, e desde então, esta dádiva está disponível a todo aquele que for salvo e crer (Mc 16:17). Basta apenas receber (At 2:4). Aleluia!

         6º Passo: Tenha certeza de que um dos meios infalíveis para se receber o batismo no Espírito Santo, é a imposição das mãos de ministros devidamente ungidos (At 8:18-20). Portanto, ao receber a imposição de mãos, e sentir a virtude do Espírito em seu ser, simplesmente fale em novas línguas.

         7º Passo: Saiba o que esperar. O Espírito Santo operará e seus órgãos vocais, sim Ele certamente capacitará seu aparelho fonador, seus lábios, sua língua, e produzirá em você palavras sobrenaturais, mas é você quem deve “por o som em ação” e pronunciá-lo abertamente. O Espírito Santo nos concede que falemos, mas é o homem quem põe em prática este falar. “Todos[ELES] foram cheios do Espírito Santo, E COMEÇARAM A FALAR em outras línguas, conforme O ESPÍRITO LHES CONCEDIA QUE FALASSEM.” “Eles” é o sujeito oculto da frase. Foram eles que falaram. O Espírito Santo apenas concedeu, e concedeu de uma vez por todas. O Pentecostes é uma promessa já cumprida na Igreja. (Jl2:28; At 2:16-18).

         8º Passo: Entenda que é impossível receber algo falsificado, ao contrário do que dizem alguns “mestres” astutos e invejosos. Afinal de contas, se você pedir pão não receberá pedra, se pedir peixe não receberá uma serpente e se pedir um ovo não receberá um escorpião. Assim, se pedir o Espírito Santo, Deus não irá lhe negar este pedido e muito menos lhe dará ou permitirá receber uma experiência falsa. (Lc11:11-13). Creia, apenas creia! Louvado seja Deus!

         9º Passo: Procure abrir a boca. Isto pode ser um ato de fé determinante, pois calado, o candidato ao batismo não poderá estar sensível e aberto à atmosfera de louvor e adoração que é indispensável para a manifestação da presença de Deus. Quando Jesus disse: “Venha a mim e beba”, Ele se referia ao Espírito Santo (Jo7:37). Ninguém pode beber com a boca fechada, é necessária uma adoração sincera, quebrantada e audível, pelo menos no que diz respeito ao culto, pois, conheço casos de pessoas que receberam o dom durante o sono, à noite.

         10º Passo: Não existem fórmulas mágicas ou técnicas, do contrário não seria mais um dom sobrenatural. “Agarre-se firme!”, “solte tudo!”, “diga glória a Deus até a língua enrolar!”, “respire fundo!”. Nada disso é bíblico, e o batismo pentecostal é uma experiência bíblica, e que provém do céu.

         Em fim, esta experiência é algo sobrenatural e infalível. Não está escrito em parte alguma no Novo Testamento que o Espírito Santo fala em línguas. Sempre cabe ao indivíduo a parte de falar, mas o precioso Espírito Santo nos concede a capacidade e a autoridade de falar.
         Algumas pessoas dizem: “Tenho medo de receber isso na carne.” Você não poderá recebê-lo de nenhuma outra maneira, falar em línguas trata-se de homens e mulheres na carne, adorando a Deus em Espírito. Deus disse: “Derramarei o meu Espírito sobre toda a CARNE.” (Jl 2:28). A carne aqui não é a natureza caída e pecaminosa do homem, e sim a sua parte material, seu corpo físico. O Espírito Santo não virá sobre um espírito desencarnado, e sim sobre um ser em carne (Rm 9:5).
         Para recebermos esta dádiva devemos nos basear em argumentos e termos bíblicos, não em expressões fabricadas pelo homem como: “Cuidado para não receber o dom na carne!” Isto é anti-bíblico e ridículo. Não existe substituto para o Espírito Santo, o que não é pedra, é pão (Lc 11:11-13).

O DOM DE LÍNGUAS - A RELAÇÃO ENTRE MENTE E ESPÍRITO HUMANO




         A escritora Jessie Penn-Lewis (leitura “nem sempre” recomendada) disse: “Se o espírito estiver fechado, é porque a mente está fechada. É bem verdade que o espírito da pessoa fica fechado se a sua mente estiver fechada, porque o espírito expressa seu pensamento através da mente. Se a mente estiver impedida, o espírito não terá por onde se manifestar.”
         É evidente que o batismo no Espírito Santo não é um fenômeno mental, pois assim, as línguas seriam uma atribuição da alma e não do espírito do homem.
         Pedro explicou que os discípulos não estavam embriagados no dia de Pentecostes. Se estivessem embriagados, suas mentes não estariam lúcidas e não teriam espíritos abertos para serem usados por Deus.
         Precisamos compreender que pelo fato de nosso culto ser racional (Rm 12:1) estaremos plenamente cientes de tudo o que fizermos e falarmos, inclusive as línguas, em outras palavras, falaremos em outras línguas se assim desejarmos, tudo depende de nossa sensibilidade espiritual e receptividade às coisas do Espírito de Deus.

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
1ª Coríntios 2:14

         Para compreendermos as coisas concernentes ao mundo espiritual, não podemos utilizar o raciocínio lógico, pois este é um atributo humano, é necessário desenvolvermos uma mentalidade espiritual que não trabalha com explicações, e sim, com a simples fé de uma criança. Vejamos:
         Uma criança confia cegamente no seu pai. Se um pai pedir a uma criança se lançar em seus braços de cima de um armário alto, a criança não pensará duas vezes, pois ela tem segurança em seu pai.
         Para recebermos coisas espirituais, é preciso “confiar cegamente” no Pai Celestial.

O DOM DE LÍNGUAS - AS IMPLICAÇÕES DA MENTE NA EXPERIÊNCIA PENTECOSTAL



É bem verdade que em alguns textos da Bíblia a palavra mente é similar a coração, mas em parte considerável das Escrituras existe uma distinção muito clara. Coração = “leb; lebãd” (hebraico) e “kardia; psuche” (grego).
         Não queremos nos aprofundar na exegese da palavra que é muito vasta, mas queremos abordar com o máximo de simplicidade possível (2ª Co 11:3) o que as Escrituras têm a dizer sobre a mente em relação às experiências espirituais, especialmente a glossolalia.

         Precisamos compreender que antes de chegar ao coração que a “fonte de tudo” (Pv 4:23), o esclarecimento das Escrituras passa pelo processo mental (mente ou intelecto), assim foi com dois discípulos após a ressurreição.

“Então, abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras.”
Lucas 24:45

         Não poderemos experimentar nenhuma das maravilhosas oriundas da pessoa de Cristo se não obtivermos uma compreensão bíblica acerca de tal dádiva.
         A mente natural jamais poderá absorver adequadamente as revelações da palavra de Deus, por isso, é necessário que haja uma renovação da mente.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2

Uma mente que tem facilidade para assimilar e aceitar as coisas do mundo (o sistema mundial que jaz no maligno – 1ª Jo 5:19), terá grande dificuldade de aceitar as coisas simples relativas à fé bíblica. É necessário que a mente passe por um drástico processo de renovação através da ação do Espírito Santo, pela oração e meditação diligente na Palavra de Deus. Assim, poderá compreender que a boa, agradável e perfeita vontade de Deus é que possamos viver em uma dimensão espiritual cada vez mais elevada, e possamos chegar à condição de orar no Espírito.

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.”
Judas 20

“orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito...”
Efésios 6:18

         Orar no Espírito é orar além do natural, é unir o espírito do homem ao Espírito de Deus para uma oração perfeita, num idioma produzido pelo Divino Espírito, no qual a mente fica realmente infrutífera, mas o nosso espírito ora perfeitamente (1ª Co 14:14)e os resultados são garantidos sem exceção. Orar no Espírito é um ato da vontade, decidimos entrar em uma dimensão mais elevada de clamor e súplica para termos a comunhão ideal com o nosso Criador.
         A perfeita oração deve ser dirigida a DEUS PAI, em nome de JESUS o FILHO, e guiada e capacitada pelo ESPÌRITO SANTO.
         É importante entender também que para orar no Espírito Santo (em línguas), nossa mente não precisa necessariamente estar cônscia e organizada em seus pensamentos, “porque se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas meu entendimento fica sem fruto” (1ª Co14:14), mas é evidente que para nos dirigirmos em oração ao Deus que é Espírito (Jo 4:24), precisamos produzir pensamentos espirituais (Fl 4:8; Cl 3:2).
         Para isso, tornamos a dizer que é necessário ter uma mente renovada pela palavra de Deus, uma mente nova e mais elevada.

“Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.”
1ª Co2:16

         Porém, não podemos descartar a mente na oração pública, pois aqueles que são naturais (1ª Co2:14), não poderão dizer amém se a nossa oração for o tempo todo em línguas desconhecidas.

“Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento... Doutra maneira, se tu bendisseres com espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto o Amém sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?”
1ª Co 14:15,16

O DOM DE LÍNGUAS - COMO AS LÍNGUAS SE PROCESSAM DENTRO DE NÓS



         Para compreendermos mais detalhadamente como ocorre o fenômeno do falar em outras línguas dentro do ser, é necessário analisarmos e definirmos os termos: corpo, carne, alma, espírito, mente e coração. Definamos assim:
         Corpo. Meio de consciência e contato com o mundo físico, ou seja, através dos sentidos do corpo (visão, audição, paladar, tato e olfato) retiramos as impressões do mundo físico.
         Carne. O termo carne é aplicado em dois aspectos distintos: referente a composição física do ser humano (corpo), ou referente a natureza adâmica do ser humano não regenerado (“pecado”).
         Alma. Meio de consciência de nós mesmos, ou seja, através dos atributos da alma (intelecto, desejo, vontade e emoção) conhecemo-nos como seres humanos.
         Espírito. Meio de consciência de Deus, ou seja, através do espírito percebemos de maneira consciente ou inconsciente que existe uma dimensão superior a nossa ( o mundo espiritual) e um Ser Superior a nós (Deus).
         Mente. É o atributo da alma responsável pelo processo do pensamento e do raciocínio lógico. É a mente que recolhe as primeiras impressões externas que são absorvidas através dos sentidos do corpo.
         Coração. É a sede de toda a essência do ser humano, normalmente a Bíblia apresenta o coração como sendo sinônimo de espírito. Podemos dizer que o coração é a consciência do espírito humano unida à alma; “tudo está no coração”.

         Precisamos entender que a alma está entre o corpo e o espírito para servir de intermediário entre ambos. Portanto, até mesmo as coisas do mundo espiritual passam pela alma antes de chegarem ao espírito e manifestarem-se no corpo. Exemplo: A plenitude do Espírito Santo é ministrada ao espírito do homem, mas seu efeito inicial que é a glossolalia, passa pelo processo mental (alma) antes de manifestar-se na língua (corpo).
         Podemos dizer então que as línguas estranhas fluem na mente do homem (que no processo do batismo é espiritual como a mente de Cristo - 1ª Co2:16) antes de serem verbalizadas por ocasião do enchimento com o Espírito Santo. Não podemos nos esquecer, porém, que um conflito espiritual é travado na mente, portanto, o Inimigo da nossas almas tentará persuadir-nos a não recebermos a experiência alegando em nossa mente os cinco principais argumentos “lógicos”:

1-   “Isto é coisa da minha cabeça, não posso falar estas línguas.”
Esta argumentação é muito comum em mentes confusas e indecisas, e normalmente tais características são comuns nas pessoas ansiosas. Lembre-se, quando for cheio do Espírito Santo e as línguas fluírem em seu interior, isto não é coisa da sua cabeça, é coisa do seu espírito.
 
2-   “Esta língua se parece muito com a do outro irmão.”
Sabe, ao estudar inglês você perceberá que o seu inglês é semelhante ao inglês de seus colegas de classe. Usei esta redundância para lhe esclarecer que as línguas estranhas podem assumir as mais diversas variações de pronuncia, mas normalmente são sempre iguais entre os crentes, e isto não é imitação consciente, mas uma santa comunhão inconsciente.

3-   “Sou muito falho, e falar em línguas é muito santo.”
Sabendo que, assim como todas as bênçãos espirituais (Ef 1:3) são dádivas da graça, não há méritos humanos para recebê-las, mas meramente fé, simples e pura fé, senão vejamos: “Só quisera saber isto de vós: Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?... Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2, 5). Se crermos simplesmente na palavra, falaremos em línguas, mesmo sem merecermos.

4-   “Não creio que seja tão simples assim.”
O aspecto do evangelho que mais choca os racionalistas é a sua “quase absurda” simplicidade. Em Cristo os rituais são descartados, as extensas fórmulas religiosas são ignoradas, tudo está baseado em um único atributo, a fé. A religião é muito complexa e o apóstolo Paulo temia que esta complexidade contaminasse a fé. “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” (2ª Co 11:3). Creia, ser batizado no Espírito Santo com a evidência de falar em outras línguas é mais simples do que você possa imaginar. Creia e fale em línguas! Eu cri, por isso falei! (2ª Co4:13)

5-   “Mas isto não tem lógica para mim”.
Lamentavelmente a cultura da Grécia ainda hoje exerce muita influência no pensamento popular, e isto se torna ainda mais grave quando esta infame cultura filosófica dos “porquês” permeia a cristandade. A teologia cristã tem sido contaminada pelo “espírito da Grécia” que agrega o “elemento lógica” à fé bíblica, assim, tudo tem ter uma explicação lógica para ser comprovado. A chamada ciência moderna, que aderiu cegamente às idéias evolucionistas (ou darwinistas) e ao ceticismo ateísta tem sido um fator antagonista aos milagres, ao poder de Deus e aos relatos bíblicos do sobrenatural, ao que Paulo nos adverte: “...guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência.” (1ª Tm 6:20). Precisamos nos lembrar que todos os tesouros da sabedoria e da ciência estão escondidos em Jesus Cristo (Cl 2:3), e somente pelo Espírito Santo os podemos sondar (1ª Co 2:10). Pare de buscar lógica nas coisas do Espírito e receba por fé aquilo que Deus já proveu à Igreja (você) no dia de Pentecostes (At 2:1-4).

Observe que estes empecilhos mentais são colocados normalmente na primeira pessoa do singular, “eu”, pois é exatamente assim que os sistemas de crença e o próprio Satanás ataca os nossos pensamentos, ele diz: “você não pode!” e você responde ao argumento pensando: “eu não posso!”

·        Tudo o que se tem no espírito é expresso através do coração. O coração é, portanto, o elo entre as obras do espírito e da alma.

Se você saturar o seu coração com a plenitude das coisas concernentes ao Espírito Santo e com os mistérios revelados do Reino espiritual, em dado momento seus lábios adorarão a Deus em línguas diversas e estranhas, “...Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca...” (Mt 12:34b)
Jesus ensinou ao doutor Nicodemus que o que faz com que o homem tenha comunhão com Deus e esteja apto a entrar no Reino de Deus, não é a “boa” religião, pois, “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3:3b). Mas, neste processo do novo nascimento, o que se torna novo no homem? A resposta é: “E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo...” (Ez36:26a).

Na regeneração Deus nos dá somente um novo espírito e um novo coração, e não uma nova alma e um novo coração. Por que? Para que através do novo espírito nós tenhamos com Deus a mesma comunhão que Adão tinha antes da Queda, e um novo coração, para vivermos uma nova vida e termos novos desejos na alma (lembre-se que o desejo é um atributo da alma). A alma é uma parte que não precisa ser refeita; a alma corresponde a mente (são sinônimos) e precisa ser renovada constantemente pela Palavra de Deus  (Romanos 12:2; Hebreus 4:12). É o coração do homem que precisa ser recriado, pois nele estão as fontes da vida, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.” (Pv 4:23). Por exemplo, o que deve ser feito ao espírito e ao coração do crente após haver pecado? Davi responde com uma oração: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.” (Sl51:10)

A glossolalia como todos os aspectos do cristianismo genuíno, é um ato de fé, se não crermos, não receberemos, e a fé não é um atributo mental, mas sim uma expressão do coração. Por exemplo, muitos gostam de dizer que a fé remove montanhas, mas a Bíblia não diz isso.

“Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.”
Marcos 11:23

         A fé não remove montanhas, mas sim, a palavra expressa com fé, a verbalização da fé. E, Jesus disse que esta fé não é intelectual (intelecto é atributo da alma), e sim, do coração.

         Paulo ratificou esta verdade quando disse acerca da salvação: “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” (Rm10:10) Ou seja, é com o coração que se crê, e com a boca se externa esta crença. Portanto, para receber o batismo no Espírito Santo e falar em línguas é preciso crer com o coração, e não com o intelecto. Surge então a pergunta: Se eu crer com o coração, qual a possibilidade de eu falar em línguas? A resposta é: Nenhuma. Quem pede recebe!

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas...”
Atos 1:8a

         Observemos três verdades esclarecedoras nesta promessa de Jesus:

         1ª Verdade: “Mas recebereis...” Receber é um ato da vontade, ninguém recebe um presente se não quiser. Alguém pode vir até mim para entregar-me um presente, mas se eu não quiser aceitar, posso simplesmente dizer: “Obrigado, mas eu não quero receber.” E não estenderei as mãos para pegá-lo.
         2ª Verdade:“...que há de vir sobre vós...” Sendo uma promessa de Deus, torna-se infalível. Se você crer haverá de vir independente de qualquer ardil do Inimigo, absolutamente há de vir. Glória a Deus!

         3ª Verdade:“...ser-me-eis testemunhas...” A conotação do texto não testemunhas para mim, e sim, testemunhas de mim, ou seja, não faremos apenas o trabalho de falar sobre Jesus, nós o demonstraremos através de todo o nosso ser, pois a palavra testemunha aqui no original é “mártir”, ou “produtor de evidências vivas”. O Senhor tem pressa de que abramos as nossas mentes espirituais para receber esta dádiva, pois ele deseja usar-nos como poderosas testemunhas de sua ressurreição.

         Precisamos proteger o nosso coração (Pv 4:23), pois o coração é o primeiro a se corromper antes de um pecado consumado.

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”
Mateus 15:19

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.”
Hebreus 3:12

         Para se receber o “batismo pentecostal” é necessário crer, pois todos os aspectos do evangelho são manifestos através da fé. Mas o que é necessário para adquirirmos a fé ideal? “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm10:17)
         Não basta que os pastores e mestres ensinem que Jesus batiza com o Espírito Santo, é fundamental ensinar por que precisamos de tal batismo, como recebê-lo, e quais serão as implicações gerais que o cercam, e isto de maneira detalhada, através da palavra de Deus. Como poderemos crer plenamente no falar em línguas se não ouvimos ensinos bíblicos sobre o assunto?
         Não podemos esperar que uma “bola de fogo caia sobre nós” para recebermos esta maravilhosa dádiva, mas o grande problema é este, muitos estão aguardando uma experiência transcendental para falarem em línguas. O ser humano tende a querer ver alguma extraordinária para que possa abrir o seu espírito para as coisas de Deus, e se esquece que: “...andamos por fé e não por vista.” (2ª Co 5:7). Fé não é ver, fé não é sentir, fé é receber! “Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Mc 11:24)
         Estas palavras de Jesus são muito expressivas, pois revelam a natureza infalível da fé bíblica.
         A tradução NVI (Nova Versão Internacional) torna este mesmo versículo ainda mais extraordinário:
         “Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá.”
         Pode-se dizer então: Se você pedir em oração o batismo no Espírito Santo, crendo que esta é uma dádiva recebida, basta simplesmente falar em línguas estranhas.
         Se o que produz tal fé é a palavra de Deus (Rm10:17), então devemos encher o nosso coração, e não a nossa mente com a palavra de Deus (Sl 119:11).