segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA RECEBER O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO



         Para receber esta benção são necessários alguns passos fundamentais, note que eu não disse estratégias, e muito menos métodos. Mesmo o termo “passos”, é apenas para facilitar a aplicabilidade do conceito, são na verdade princípios espirituais bíblicos:

         1º Passo: É preciso nascer de novo. Aliás, este é o único critério legal para estarmos aptos ao Batismo no Espírito Santo. Para ser cheio do Espírito, a pessoa deve ser primeiramente habitada pelo Espírito Santo e pertencer ao Senhor Jesus. (At 2:38; Rm 8:9)

         2º Passo: Precisamos pedir. Não podemos receber nada de Deus se não ansiarmos profundamente. Jesus foi objetivo em dizer que se alguém pedir o Espírito Santo, seu pedido será atendido sem exceção. (Lc 11:8)

         3º Passo: É necessário se entregar. É exatamente isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando admoestou: “apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo.” (Rm 12:1) Este é o paradoxo daqueles que durante o culto ao Senhor parecem “múmias”, e não se apresentam para cultuar de verdade.

         4º Passo: É preciso crer. Não foi em vão que Paulo questionou os gálatas: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2). O contexto da pergunta por si só já revela, claro que recebemos o Espírito pela pregação da fé, pois nada de bom que fizermos nos fará merecedores de tal dádiva, é um dom de Deus, fruto da sublime graça. Pergunta semelhante Paulo fez aos crentes da cidade de Éfeso (At 19:2).

         5º Passo: Conhecer a disponibilidade da dádiva. Deus concedeu esse batismo “pentecostal” no dia de Pentecostes, e desde então, esta dádiva está disponível a todo aquele que for salvo e crer (Mc 16:17). Basta apenas receber (At 2:4). Aleluia!

         6º Passo: Tenha certeza de que um dos meios infalíveis para se receber o batismo no Espírito Santo, é a imposição das mãos de ministros devidamente ungidos (At 8:18-20). Portanto, ao receber a imposição de mãos, e sentir a virtude do Espírito em seu ser, simplesmente fale em novas línguas.

         7º Passo: Saiba o que esperar. O Espírito Santo operará e seus órgãos vocais, sim Ele certamente capacitará seu aparelho fonador, seus lábios, sua língua, e produzirá em você palavras sobrenaturais, mas é você quem deve “por o som em ação” e pronunciá-lo abertamente. O Espírito Santo nos concede que falemos, mas é o homem quem põe em prática este falar. “Todos[ELES] foram cheios do Espírito Santo, E COMEÇARAM A FALAR em outras línguas, conforme O ESPÍRITO LHES CONCEDIA QUE FALASSEM.” “Eles” é o sujeito oculto da frase. Foram eles que falaram. O Espírito Santo apenas concedeu, e concedeu de uma vez por todas. O Pentecostes é uma promessa já cumprida na Igreja. (Jl2:28; At 2:16-18).

         8º Passo: Entenda que é impossível receber algo falsificado, ao contrário do que dizem alguns “mestres” astutos e invejosos. Afinal de contas, se você pedir pão não receberá pedra, se pedir peixe não receberá uma serpente e se pedir um ovo não receberá um escorpião. Assim, se pedir o Espírito Santo, Deus não irá lhe negar este pedido e muito menos lhe dará ou permitirá receber uma experiência falsa. (Lc11:11-13). Creia, apenas creia! Louvado seja Deus!

         9º Passo: Procure abrir a boca. Isto pode ser um ato de fé determinante, pois calado, o candidato ao batismo não poderá estar sensível e aberto à atmosfera de louvor e adoração que é indispensável para a manifestação da presença de Deus. Quando Jesus disse: “Venha a mim e beba”, Ele se referia ao Espírito Santo (Jo7:37). Ninguém pode beber com a boca fechada, é necessária uma adoração sincera, quebrantada e audível, pelo menos no que diz respeito ao culto, pois, conheço casos de pessoas que receberam o dom durante o sono, à noite.

         10º Passo: Não existem fórmulas mágicas ou técnicas, do contrário não seria mais um dom sobrenatural. “Agarre-se firme!”, “solte tudo!”, “diga glória a Deus até a língua enrolar!”, “respire fundo!”. Nada disso é bíblico, e o batismo pentecostal é uma experiência bíblica, e que provém do céu.

         Em fim, esta experiência é algo sobrenatural e infalível. Não está escrito em parte alguma no Novo Testamento que o Espírito Santo fala em línguas. Sempre cabe ao indivíduo a parte de falar, mas o precioso Espírito Santo nos concede a capacidade e a autoridade de falar.
         Algumas pessoas dizem: “Tenho medo de receber isso na carne.” Você não poderá recebê-lo de nenhuma outra maneira, falar em línguas trata-se de homens e mulheres na carne, adorando a Deus em Espírito. Deus disse: “Derramarei o meu Espírito sobre toda a CARNE.” (Jl 2:28). A carne aqui não é a natureza caída e pecaminosa do homem, e sim a sua parte material, seu corpo físico. O Espírito Santo não virá sobre um espírito desencarnado, e sim sobre um ser em carne (Rm 9:5).
         Para recebermos esta dádiva devemos nos basear em argumentos e termos bíblicos, não em expressões fabricadas pelo homem como: “Cuidado para não receber o dom na carne!” Isto é anti-bíblico e ridículo. Não existe substituto para o Espírito Santo, o que não é pedra, é pão (Lc 11:11-13).

O DOM DE LÍNGUAS - A RELAÇÃO ENTRE MENTE E ESPÍRITO HUMANO




         A escritora Jessie Penn-Lewis (leitura “nem sempre” recomendada) disse: “Se o espírito estiver fechado, é porque a mente está fechada. É bem verdade que o espírito da pessoa fica fechado se a sua mente estiver fechada, porque o espírito expressa seu pensamento através da mente. Se a mente estiver impedida, o espírito não terá por onde se manifestar.
         É evidente que o batismo no Espírito Santo não é um fenômeno mental, pois assim, as línguas seriam uma atribuição da alma e não do espírito do homem.
         Pedro explicou que os discípulos não estavam embriagados no dia de Pentecostes. Se estivessem embriagados, suas mentes não estariam lúcidas e não teriam espíritos abertos para serem usados por Deus.
         Precisamos compreender que pelo fato de nosso culto ser racional (Rm 12:1) estaremos plenamente cientes de tudo o que fizermos e falarmos, inclusive as línguas, em outras palavras, falaremos em outras línguas se assim desejarmos, tudo depende de nossa sensibilidade espiritual e receptividade às coisas do Espírito de Deus.

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
1ª Coríntios 2:14

         Para compreendermos as coisas concernentes ao mundo espiritual, não podemos utilizar o raciocínio lógico, pois este é um atributo humano, é necessário desenvolvermos uma mentalidade espiritual que não trabalha com explicações, e sim, com a simples fé de uma criança. Vejamos:
         Uma criança confia cegamente no seu pai. Se um pai pedir a uma criança se lançar em seus braços de cima de um armário alto, a criança não pensará duas vezes, pois ela tem segurança em seu pai.
         Para recebermos coisas espirituais, é preciso “confiar cegamente” no Pai Celestial.

O DOM DE LÍNGUAS - AS IMPLICAÇÕES DA MENTE NA EXPERIÊNCIA PENTECOSTAL



É bem verdade que em alguns textos da Bíblia a palavra mente é similar a coração, mas em parte considerável das Escrituras existe uma distinção muito clara. Coração = “leb; lebãd” (hebraico) e “kardia; psuche” (grego).
         Não queremos nos aprofundar na exegese da palavra que é muito vasta, mas queremos abordar com o máximo de simplicidade possível (2ª Co 11:3) o que as Escrituras têm a dizer sobre a mente em relação às experiências espirituais, especialmente a glossolalia.

         Precisamos compreender que antes de chegar ao coração que a “fonte de tudo” (Pv 4:23), o esclarecimento das Escrituras passa pelo processo mental (mente ou intelecto), assim foi com dois discípulos após a ressurreição.

Então, abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras.
Lucas 24:45

         Não poderemos experimentar nenhuma das maravilhosas oriundas da pessoa de Cristo se não obtivermos uma compreensão bíblica acerca de tal dádiva.
         A mente natural jamais poderá absorver adequadamente as revelações da palavra de Deus, por isso, é necessário que haja uma renovação da mente.

E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Romanos 12:2

Uma mente que tem facilidade para assimilar e aceitar as coisas do mundo (o sistema mundial que jaz no maligno – 1ª Jo 5:19), terá grande dificuldade de aceitar as coisas simples relativas à fé bíblica. É necessário que a mente passe por um drástico processo de renovação através da ação do Espírito Santo, pela oração e meditação diligente na Palavra de Deus. Assim, poderá compreender que a boa, agradável e perfeita vontade de Deus é que possamos viver em uma dimensão espiritual cada vez mais elevada, e possamos chegar à condição de orar no Espírito.

Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.
Judas 20

orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito...
Efésios 6:18

         Orar no Espírito é orar além do natural, é unir o espírito do homem ao Espírito de Deus para uma oração perfeita, num idioma produzido pelo Divino Espírito, no qual a mente fica realmente infrutífera, mas o nosso espírito ora perfeitamente (1ª Co 14:14)e os resultados são garantidos sem exceção. Orar no Espírito é um ato da vontade, decidimos entrar em uma dimensão mais elevada de clamor e súplica para termos a comunhão ideal com o nosso Criador.
         A perfeita oração deve ser dirigida a DEUS PAI, em nome de JESUS o FILHO, e guiada e capacitada pelo ESPÌRITO SANTO.
         É importante entender também que para orar no Espírito Santo (em línguas), nossa mente não precisa necessariamente estar cônscia e organizada em seus pensamentos, “porque se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas meu entendimento fica sem fruto” (1ª Co14:14), mas é evidente que para nos dirigirmos em oração ao Deus que é Espírito (Jo 4:24), precisamos produzir pensamentos espirituais (Fl 4:8; Cl 3:2).
         Para isso, tornamos a dizer que é necessário ter uma mente renovada pela palavra de Deus, uma mente nova e mais elevada.

Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.
1ª Co2:16

         Porém, não podemos descartar a mente na oração pública, pois aqueles que são naturais (1ª Co2:14), não poderão dizer amém se a nossa oração for o tempo todo em línguas desconhecidas.

Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento... Doutra maneira, se tu bendisseres com espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto o Amém sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?
1ª Co 14:15,16

O DOM DE LÍNGUAS - COMO AS LÍNGUAS SE PROCESSAM DENTRO DE NÓS



         Para compreendermos mais detalhadamente como ocorre o fenômeno do falar em outras línguas dentro do ser, é necessário analisarmos e definirmos os termos: corpo, carne, alma, espírito, mente e coração. Definamos assim:
         Corpo. Meio de consciência e contato com o mundo físico, ou seja, através dos sentidos do corpo (visão, audição, paladar, tato e olfato) retiramos as impressões do mundo físico.
         Carne. O termo carne é aplicado em dois aspectos distintos: referente a composição física do ser humano (corpo), ou referente a natureza adâmica do ser humano não regenerado (“pecado”).
         Alma. Meio de consciência de nós mesmos, ou seja, através dos atributos da alma (intelecto, desejo, vontade e emoção) conhecemo-nos como seres humanos.
         Espírito. Meio de consciência de Deus, ou seja, através do espírito percebemos de maneira consciente ou inconsciente que existe uma dimensão superior a nossa ( o mundo espiritual) e um Ser Superior a nós (Deus).
         Mente. É o atributo da alma responsável pelo processo do pensamento e do raciocínio lógico. É a mente que recolhe as primeiras impressões externas que são absorvidas através dos sentidos do corpo.
         Coração. É a sede de toda a essência do ser humano, normalmente a Bíblia apresenta o coração como sendo sinônimo de espírito. Podemos dizer que o coração é a consciência do espírito humano unida à alma; “tudo está no coração”.

         Precisamos entender que a alma está entre o corpo e o espírito para servir de intermediário entre ambos. Portanto, até mesmo as coisas do mundo espiritual passam pela alma antes de chegarem ao espírito e manifestarem-se no corpo. Exemplo: A plenitude do Espírito Santo é ministrada ao espírito do homem, mas seu efeito inicial que é a glossolalia, passa pelo processo mental (alma) antes de manifestar-se na língua (corpo).
         Podemos dizer então que as línguas estranhas fluem na mente do homem (que no processo do batismo é espiritual como a mente de Cristo - 1ª Co2:16) antes de serem verbalizadas por ocasião do enchimento com o Espírito Santo. Não podemos nos esquecer, porém, que um conflito espiritual é travado na mente, portanto, o Inimigo da nossas almas tentará persuadir-nos a não recebermos a experiência alegando em nossa mente os cinco principais argumentos “lógicos”:

1-   “Isto é coisa da minha cabeça, não posso falar estas línguas.”
Esta argumentação é muito comum em mentes confusas e indecisas, e normalmente tais características são comuns nas pessoas ansiosas. Lembre-se, quando for cheio do Espírito Santo e as línguas fluírem em seu interior, isto não é coisa da sua cabeça, é coisa do seu espírito.
 
2-   “Esta língua se parece muito com a do outro irmão.”
Sabe, ao estudar inglês você perceberá que o seu inglês é semelhante ao inglês de seus colegas de classe. Usei esta redundância para lhe esclarecer que as línguas estranhas podem assumir as mais diversas variações de pronuncia, mas normalmente são sempre iguais entre os crentes, e isto não é imitação consciente, mas uma santa comunhão inconsciente.

3-   “Sou muito falho, e falar em línguas é muito santo.”
Sabendo que, assim como todas as bênçãos espirituais (Ef 1:3) são dádivas da graça, não há méritos humanos para recebê-las, mas meramente fé, simples e pura fé, senão vejamos: “Só quisera saber isto de vós: Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?... Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2, 5). Se crermos simplesmente na palavra, falaremos em línguas, mesmo sem merecermos.

4-   “Não creio que seja tão simples assim.”
O aspecto do evangelho que mais choca os racionalistas é a sua “quase absurda” simplicidade. Em Cristo os rituais são descartados, as extensas fórmulas religiosas são ignoradas, tudo está baseado em um único atributo, a fé. A religião é muito complexa e o apóstolo Paulo temia que esta complexidade contaminasse a fé. “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” (2ª Co 11:3). Creia, ser batizado no Espírito Santo com a evidência de falar em outras línguas é mais simples do que você possa imaginar. Creia e fale em línguas! Eu cri, por isso falei! (2ª Co4:13)

5-   “Mas isto não tem lógica para mim”.
Lamentavelmente a cultura da Grécia ainda hoje exerce muita influência no pensamento popular, e isto se torna ainda mais grave quando esta infame cultura filosófica dos “porquês” permeia a cristandade. A teologia cristã tem sido contaminada pelo “espírito da Grécia” que agrega o “elemento lógica” à fé bíblica, assim, tudo tem ter uma explicação lógica para ser comprovado. A chamada ciência moderna, que aderiu cegamente às idéias evolucionistas (ou darwinistas) e ao ceticismo ateísta tem sido um fator antagonista aos milagres, ao poder de Deus e aos relatos bíblicos do sobrenatural, ao que Paulo nos adverte: “...guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência.” (1ª Tm 6:20). Precisamos nos lembrar que todos os tesouros da sabedoria e da ciência estão escondidos em Jesus Cristo (Cl 2:3), e somente pelo Espírito Santo os podemos sondar (1ª Co 2:10). Pare de buscar lógica nas coisas do Espírito e receba por fé aquilo que Deus já proveu à Igreja (você) no dia de Pentecostes (At 2:1-4).

Observe que estes empecilhos mentais são colocados normalmente na primeira pessoa do singular, “eu”, pois é exatamente assim que os sistemas de crença e o próprio Satanás ataca os nossos pensamentos, ele diz: “você não pode!” e você responde ao argumento pensando: “eu não posso!

·        Tudo o que se tem no espírito é expresso através do coração. O coração é, portanto, o elo entre as obras do espírito e da alma.

Se você saturar o seu coração com a plenitude das coisas concernentes ao Espírito Santo e com os mistérios revelados do Reino espiritual, em dado momento seus lábios adorarão a Deus em línguas diversas e estranhas, “...Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca...” (Mt 12:34b)
Jesus ensinou ao doutor Nicodemus que o que faz com que o homem tenha comunhão com Deus e esteja apto a entrar no Reino de Deus, não é a “boa” religião, pois, “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3:3b). Mas, neste processo do novo nascimento, o que se torna novo no homem? A resposta é: “E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo...” (Ez36:26a).

Na regeneração Deus nos dá somente um novo espírito e um novo coração, e não uma nova alma e um novo coração. Por que? Para que através do novo espírito nós tenhamos com Deus a mesma comunhão que Adão tinha antes da Queda, e um novo coração, para vivermos uma nova vida e termos novos desejos na alma (lembre-se que o desejo é um atributo da alma). A alma é uma parte que não precisa ser refeita; a alma corresponde a mente (são sinônimos) e precisa ser renovada constantemente pela Palavra de Deus  (Romanos 12:2; Hebreus 4:12). É o coração do homem que precisa ser recriado, pois nele estão as fontes da vida, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.” (Pv 4:23). Por exemplo, o que deve ser feito ao espírito e ao coração do crente após haver pecado? Davi responde com uma oração: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.” (Sl51:10)

A glossolalia como todos os aspectos do cristianismo genuíno, é um ato de fé, se não crermos, não receberemos, e a fé não é um atributo mental, mas sim uma expressão do coração. Por exemplo, muitos gostam de dizer que a fé remove montanhas, mas a Bíblia não diz isso.

Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.
Marcos 11:23

         A fé não remove montanhas, mas sim, a palavra expressa com fé, a verbalização da fé. E, Jesus disse que esta fé não é intelectual (intelecto é atributo da alma), e sim, do coração.

         Paulo ratificou esta verdade quando disse acerca da salvação: “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” (Rm10:10) Ou seja, é com o coração que se crê, e com a boca se externa esta crença. Portanto, para receber o batismo no Espírito Santo e falar em línguas é preciso crer com o coração, e não com o intelecto. Surge então a pergunta: Se eu crer com o coração, qual a possibilidade de eu falar em línguas? A resposta é: Nenhuma. Quem pede recebe!

Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas...
Atos 1:8a

         Observemos três verdades esclarecedoras nesta promessa de Jesus:

         1ª Verdade: Mas recebereis...” Receber é um ato da vontade, ninguém recebe um presente se não quiser. Alguém pode vir até mim para entregar-me um presente, mas se eu não quiser aceitar, posso simplesmente dizer: “Obrigado, mas eu não quero receber.” E não estenderei as mãos para pegá-lo.
         2ª Verdade:...que há de vir sobre vós...” Sendo uma promessa de Deus, torna-se infalível. Se você crer haverá de vir independente de qualquer ardil do Inimigo, absolutamente há de vir. Glória a Deus!

         3ª Verdade:...ser-me-eis testemunhas...” A conotação do texto não testemunhas para mim, e sim, testemunhas de mim, ou seja, não faremos apenas o trabalho de falar sobre Jesus, nós o demonstraremos através de todo o nosso ser, pois a palavra testemunha aqui no original é “mártir”, ou “produtor de evidências vivas”. O Senhor tem pressa de que abramos as nossas mentes espirituais para receber esta dádiva, pois ele deseja usar-nos como poderosas testemunhas de sua ressurreição.

         Precisamos proteger o nosso coração (Pv 4:23), pois o coração é o primeiro a se corromper antes de um pecado consumado.

Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
Mateus 15:19

Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.
Hebreus 3:12

         Para se receber o “batismo pentecostal” é necessário crer, pois todos os aspectos do evangelho são manifestos através da fé. Mas o que é necessário para adquirirmos a fé ideal? “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm10:17)
         Não basta que os pastores e mestres ensinem que Jesus batiza com o Espírito Santo, é fundamental ensinar por que precisamos de tal batismo, como recebê-lo, e quais serão as implicações gerais que o cercam, e isto de maneira detalhada, através da palavra de Deus. Como poderemos crer plenamente no falar em línguas se não ouvimos ensinos bíblicos sobre o assunto?
         Não podemos esperar que uma “bola de fogo caia sobre nós” para recebermos esta maravilhosa dádiva, mas o grande problema é este, muitos estão aguardando uma experiência transcendental para falarem em línguas. O ser humano tende a querer ver alguma extraordinária para que possa abrir o seu espírito para as coisas de Deus, e se esquece que: “...andamos por fé e não por vista.” (2ª Co 5:7). Fé não é ver, fé não é sentir, fé é receber! “Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Mc 11:24)
         Estas palavras de Jesus são muito expressivas, pois revelam a natureza infalível da fé bíblica.
         A tradução NVI (Nova Versão Internacional) torna este mesmo versículo ainda mais extraordinário:
         “Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá.
         Pode-se dizer então: Se você pedir em oração o batismo no Espírito Santo, crendo que esta é uma dádiva recebida, basta simplesmente falar em línguas estranhas.
         Se o que produz tal fé é a palavra de Deus (Rm10:17), então devemos encher o nosso coração, e não a nossa mente com a palavra de Deus (Sl 119:11).


O DOM DE LÍNGUAS - LÍNGUAS NOS PERÍODOS PÓS-APOSTÓLICOS



São raros os registros históricos de glossolalia antes do século XIX. Isto se deve ao fato de que os historiadores, em sua totalidade cessacionistas (os que acreditam que as manifestações carismáticas foram restritas ao 1º século da Igreja), omitiam de suas obras as evidências reais de profecias e línguas estranhas, que eram descritas por eles como “excentricidades passageiras de crentes imaturos”.
         Outro motivo é que os casos de glossolalia foram muito raros após o terceiro século até o período da Reforma Protestante, já que o advento da Igreja Católica Romana, com seus dogmas heréticos, lançou a cristandade em uma era de densas trevas espirituais.
         A glossolalia somente voltou a ganhar registros significativos, quando os ventos do Espírito voltaram a soprar com grande ímpeto à partir dos séculos XVIII e XIX.
         Até o terceiro século, além dos registros da Bíblia Sagrada, temos apenas seis registros dignos de crédito, os quais trataremos à seguir.

         Um certo reverendo Frederic William Farrar (1831-1903), que era historiador e Deão da Catedral de Canterbury, na Inglaterra, pesquisando os registros históricos da Igreja Primitiva, descobriu a visita secreta de um príncipe britânico da Coorte Romana a uma reunião entre os cristãos, na qual em um dado momento, segundo ele, “línguas estranhas foram ouvidas”. E ele continua relatando assim: “As palavras que pronunciavam eram elevadas, solenes e cheias de significação misteriosa. Não falavam a sua própria língua, mas pareciam que falavam toda qualidade de idiomas, embora não se pudesse dizer se pudesse dizer se hebraico, grego, latim ou persa. Isso se deu com uns e outros, segundo o impulso poderoso que operava na ocasião”.

         Outro registro ocorreu no segundo século, através de um movimento espiritual liderado por um homem chamado Montano (Montanismo). Este movimento surgiu na Turquia visando um reavivamento na Igreja, que estava esfriando a ponto de extinguir os dons espirituais tão comuns no primeiro século. O mais conhecido adepto do Montanismo foi Tertuliano, um dos pais da Igreja.
         O fundador Montano não possuía nenhum cargo eclesiástico. Juntamente com três mulheres da alta sociedade, andavam pelas cidades pregando a santificação e a preparação para a segunda vinda de Cristo. Manifestavam-se línguas estranhas, interpretação de línguas, revelações e profecias. Nas profecias, o Senhor falava através das mulheres na primeira pessoa: “Eu, o Senhor...
         O bispado da Ásia Menor, em concílio, condenou o Montanismo em meados de 160 dC, não exatamente pelas línguas estranhas, mas pelo poder de mobilização do dom de profecia que vaticinava contra a frieza espiritual e o formalismo da liderança eclesiástica.
         Após a morte de um de seus mais proeminentes líderes, Tertuliano, a falta de respaldo bíblico nas doutrinas dos montanistas fez com que os avivalistas caíssem em exageros e algumas heresias, culminando com o fim do movimento.
        
         Por incrível que pareça, o terceiro registro provém de um anticristão chamado Celso, um filósofo pagão que repudiava ardentemente os cristãos. Este relatou em um de seus discursos no segundo século (176 dC) que os seguidores de Cristo falavam em línguas estranhas. E ele continua e afirma que os cristãos são “estranhos” e “fanáticos”, e que em suas reuniões “falavam palavras ininteligíveis para as quais uma pessoa racional não consegue encontrar significado”. Ele dizia: “São línguas muito obscuras”.
         Gostaria de observar com você o seguinte fato, mesmo sendo um ávido antagonista ao cristianismo, o filósofo Celso sabia que aquelas línguas não eram meramente um fenômeno natural.

         Outra citação refere-se à Igreja pastoreada (na França) por Irineu, um dos pais da Igreja. Na Igreja do bispo Irineu os dons espirituais estavam em plena atividade. Irineu relata assim: “Temos em nossas igrejas irmãos que possuem dons proféticos e, pelo Espírito Santo falam toda classe de idiomas”.

         Chegamos ao quarto século, o advento da igreja católica romana, que “congelou” o movimento do Espírito Santo que havia na Igreja original (a Primitiva). Eu, como ministro pentecostal, não gostaria de vivido naquela época de cultos frios ao invés de cultos dinâmicos e avivados, e no lugar de ministros “labaredas de fogo”, ministros “iceberg”.
         Porém, ainda assim, há registros de manifestações carismáticas no quarto século. O fundador do primeiro mosteiro, Pacômio, falava em grego e latim sem nunca ter estudado estas línguas, e isto é um fato sobrenatural, dado a dificuldade de ambas.

Também no quarto século, Agostinho, bispo de Hipona, afirma: “Faremos o que os apóstolos fizeram quando impuseram as mãos sobre os samaritanos, pedindo que o Espírito Santo caísse sobre eles: esperamos que os convertidos falem em novas línguas”.

         Após o quarto século cessaram os casos de glossolalia e a manifestação dos dons espirituais, que somente voltaram a tona à partir da Reforma Protestante em 31 de Outubro de 1517 com o “lendário” Martinho Lutero, que segundo historiadores, falava em línguas estranhas, além de manifestar os demais oito dons espirituais.
         Finalmente, após muitos reavivamentos históricos, surge no começo do século XX, em uma ruazinha sem expressão de Los Angeles chamada Azuza Street, o mover do Espírito Santo mais forte, bíblico e duradouro de que se tem notícia, o Movimento Pentecostal.
         A enciclopédia Britânica declara que a glossolalia reaparece nos avivamentos cristãos de todas as épocas. No diário de Thomas Walsh, um dos primeiros pregadores de John Wesley, oito de Março de 1759, encontra-se este registro: “Esta manhã, o Senhor deu-me uma língua que eu não conhecia, elevando a ele a minha alma de uma maneira maravilhosa.”
         John Wesley, evangelista inglês do século XVIII e pai do Metodismo relata: “Cerca das três horas da manhã, enquanto nos encontrávamos em oração fervente, o poder de Deus veio poderosamente sobre nós, de tal maneira que, muitos caíram para o chão... e irrompemos numa voz: Nós te louvamos ó Deus, nós reconhecemos que tu és Senhor!”
         Dwigth L. Moody, evangelista e professor americano do século XIX relata: “Pedi-lhes (aos amigos reunidos) para virem falar comigo, e ali derramaram seus corações em oração pára que eu recebesse a plenitude do Espírito Santo. Veio uma grande fome a minha alma. Não sabia o que era e comecei a clamar como nunca antes havia feito. Sentia que não tivesse este poder não queria viver, nem podia continuar o meu trabalho... só posso dizer que o Senhor se revelou a mim, e tive uma experiência tal do seu amor, que por fim tive que pedir-lhe que tirasse de mim a Sua mão”.
         Você deve estar dizendo: “Mas nestes dois últimos relatos de Wesley e Moody não se menciona línguas estranhas”. Sim, é verdade, e talvez esta seja a experiência constante em sua busca por Deus, um sempre “quase batizado no Espírito Santo”. Tente imaginar as experiências de Wesley e Moody, certamente eles sentiram as línguas espirituais fluindo em seu interior, mas nas ocasiões relatadas, não as verbalizaram.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O DOM DE LÍNGUAS


O termo técnico-teológico para o falar em línguas é “Glossolália”; é a fusão de duas palavras gregas: Lalia = “discurso”, “fala” e glossa = “língua”, “linguagem”.
         Ao contrário do “vento” e do “fogo” (Atos 2:1-4), as línguas estranhas são um padrão para todos os discípulos que são cheios do Espírito Santo e queiram andar em uma dimensão de fé sobrenatural, pois as línguas são a principal ferramenta de edificação espiritual do crente.

E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem.
 (Atos 2:4)

Vamos trocar “...conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” Por “...conforme o Espírito Santo lhes concedia a verbalização inspirada.
Devemos entender que a “verbalização” é uma atitude pessoal e racional que cabia apenas aos discípulos, porém, tal verbalização foi inspirada pelo Espírito Santo.
Podemos então concluir com exatidão que o Espírito Santo inspira sobrenaturalmente o homem a falar em um idioma desconhecido, mas é o homem que decide se fala em outras línguas ou não, externando tal inspiração.
Vamos definir três aspectos fundamentais: (1) Línguas como manifestação do Espírito; (2) Línguas como sinal externo do batismo no Espírito Santo; e (3) Línguas como Dom.

Línguas como manifestação do Espírito. É uma expressão vocal inspirada pelo Espírito Santo na qual o crente fala em uma língua que nunca aprendeu (At 2:4; 1ª Co14:14-15). Podem ser línguas humanas (At 2:6) ou línguas desconhecidas na terra (1ª Co 13:1).

Línguas como sinal externo do batismo no Espírito Santo. O Espírito do crente se une ao Espírito Santo para louvar e/ou profetizar. Já no inicio da dispensação do Espírito o Senhor deixou claro que as línguas seriam o primeiro sinal da plenitude do Espírito Santo na vida do crente. Este foi um padrão na Igreja Primitiva, e é um padrão para a Igreja em todas as gerações e épocas (At 10:45-46). Sendo assim, podemos saber o local e o momento exato em que alguém recebeu o Batismo no Espírito Santo.

Línguas como Dom. Na lista de Paulo (1ª Co 12:4-10) as línguas estão descritas como um dom com dois objetivos principais:

(1) Línguas seguidas de interpretação pelo Espírito no culto público para a edificação da congregação (1ª Co 14:5-6, 13-17).

(2) Línguas para dirigir-se a Deus em adoração e para auto-edificação.
Obs.: No culto público, silenciosamente (com concessões); na devoção pessoal, à vontade.

O falar em línguas ocorre diversas vezes no N.T.:
         Falar em outras línguas – Atos 2:4
         Falar em línguas – Atos 10:46; 19:6; 1ª Coríntios 12:30; 14:5-6, 18
         Falar numa língua – 1ª Coríntios 14:2,4,13
         Falar em línguas de homens e de anjos – 1ª Coríntios 13:1
         Falar em novas línguas – Marcos 16:17
         Variedade de línguas – 1ª Coríntios 12:10,28
         Línguas – 1ª Coríntios 13:8; 14:22
         Uma língua – 1ª Coríntios 14:14,19,26

A Experiência Pessoal de Paulo

E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmãos Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo...
Atos 8:18a

         O objetivo da imposição das mãos de Ananias em Saulo era que ele fosse cheio do Espírito Santo.
         Lucas não relata nenhuma manifestação da glossolalia neste episódio. É certo, no entanto, que o apóstolo Paulo, depois da experiência na casa do irmão Judas, na Rua Direita, Paulo falava em línguas regularmente e freqüentemente desde então. “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.” (1ª Co 14:18). Se muitos teólogos tradicionais e céticos consideram as línguas inúteis, então porque o sábio e espiritual apóstolo Paulo era tão grato a Deus por esta preciosa dádiva. Acerca disso falaremos mais adiante.

         No livro de Atos dos Apóstolos a experiência de falar em línguas somente ocorre no momento do recebimento do Batismo no Espírito Santo, pois as línguas são a evidência marcante do mesmo. Parece, portanto, perfeitamente lógico que no exato instante da imposição de mãos do discípulo Ananias, Paulo foi batizado no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas.

         Paulo desfrutava de uma singular comunhão com o Espírito Santo através da oração, especialmente da oração em línguas. Tal comunhão estava refletida em seu profundo anelo por ver a Igreja desfrutando desta intimidade com o Deus Trino, de sorte que Paulo ministrando a benção apostólica aos crentes da Igreja em Corinto expressou: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” (2ª Co 13:13). A sublime graça de Jesus Cristo já se manifestou em seu ministério aos homens, Deus Pai já revelou a grandeza de seu inexplicável amor ao enviar seu único Filho para morrer por nós, mas a comunhão do Espírito Santo se manifesta hoje para a Igreja, na dispensação da graça, para que todo filho de Deus possa gozar de estreita e íntima comunhão com a Divindade por sua terceira maravilhosa Pessoa. Paulo queria que a comunhão do Espírito Santo fosse uma realidade plena e constante para os crentes, pois ele mesmo desfrutava desta dádiva graciosa.

         O segredo da intimidade de Paulo com o Senhor era justamente sua vida singular de oração, que incluía longos períodos de oração em línguas. Além disso, através da oração em línguas Paulo recebeu as mais profundas revelações doutrinárias que o nutriram espiritualmente para escrever suas treze cartas e desvincular a fé cristã do judaísmo ortodoxo. Aliás, todo conhecimento espiritual de Paulo não teve nenhuma espécie origem acadêmica; ele mesmo considerou todo seu conhecimento intelectual e religioso como esterco (Fl 3:8); sua ciência espiritual também não foi adquirida através de ensinos de homens, mas por revelação direta de Jesus Cristo (Gl 1:11-12).

         Os escritos doutrinários de Paulo são notoriamente caracterizados por sua compreensão de mistérios espirituais que somente poderiam ser absorvidos por meios divinos, o próprio Paulo escreveu acerca disso: “pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas.” (Ef 3:4-5).

         A principal característica espiritual de Paulo era sua profunda compreensão e conhecimento dos tempos, os escritos paulinos revelam que ele não estava deslocado no tempo, tanto em relação à sua própria vida e ministério, quanto à dispensação dos tempos da Igreja. O Espírito Santo revelou a Paulo o tempo oportuno que Deus escolhera para restaurar todas as coisas em Cristo.

descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.
Efésios 1:9-10

         Paulo está aqui declarando que o mistério da vontade agora está revelado à Igreja de forma tão clara e cristalina, como jamais esteve, nem mesmo nos tempos de profetas como Moisés e Elias. Ele escreve que esta soberana vontade de Deus sempre foi preparar uma ocasião ideal para a manifestação do Filho Deus, no qual todas as coisas seriam congregadas. Este “tempo perfeito” ou “chronos pleroma” era bem conhecido por Paulo, que depois de uma veemente exortação aos romanos sobre amor, vigilância e pureza, alertou: “E isto digo, conhecendo o tempo...” (Rm13:11).

         Outro aspecto em que Paulo estava profundamente instruído e preparado era com relação à batalha espiritual e o papel da Igreja do Senhor na mesma, e a grande chave desta visão profética sobre o reino espiritual era justamente a oração no Espírito (em línguas): “orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito...” (Ef6:18).
         Acerca da origem das revelações de Paulo na glossolalia estudaremos mais a frente.


Continua...

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